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Análise – Assassin’s Creed: The Ezio Collection

A vida de Ezio Auditore da Firenze, o brabo

Se você é fã de longa data da franquia Assassin’s Creed, assim como eu, com certeza viu a transformação que seus games sofreram ao longo do tempo. Hoje em dia, existem pelo menos dois tipos de fãs de AC: os que preferem a fórmula clássica e os que se apaixonaram pela nova abordagem. Ainda não consegui me decidir em qual grupo me encaixo. Dito isso, fiquei super feliz quando soube do anúncio de Assassin’s Creed: The Ezio Collection para o Switch, já que se trata da era de ouro de um dos melhores personagens da história de AC. E o quanto vale a pena voltar para esses clássicos em um sistema híbrido da Nintendo?

Transformação através dos anos

De garanhão à recrutador da Ordem dos Assassinos
De garanhão à recrutador da Ordem dos Assassinos

Os tempos passados de Assassin’s Creed sempre puderam ser resumidos em furtividade, escaladas, muito parkour e assassinatos de alvos. Claro que não podia faltar o mundo aberto, o que eu diria que é até hoje uma das estrelas desse produto Ubisoft. Só para contexto, AC era pra ser um game da saga Prince of Persia, mas acabou recebendo uma visão diferente e tornando-se uma franquia isolada. Mesmo assim, ainda existe uma vibe bem intensa de PoP no primeiro AC lá de 2007 – especialmente por causa do lugar no qual ele se passa.

Depois de incorporamos Altair em terras árabes através de muita tecnologia, Desmond Miles, protagonista utilizado pela corporação Abstergo para ter acesso às memórias ancestrais dos assassinos, agora faz uma visita a seu antepassado Ezio Firenze de Auditore, na Itália. Pouparei a todos de detalhes profundos sobre a história, já que algumas revelações que acontecem logo no início de todos os três jogos podem estragar completamente a experiência de alguém que deseja conhecer a série desde o primeiro título. Digamos apenas que nem tudo é o que parece.

Além da trama ser focada basicamente em uma espécie de “regressão astral”, Desmond descobre que existe todo um conflito envolvendo A Ordem dos Assassinos contra templários desde tempos primórdios, e ambos possuem um interesse em comum – mas com propósitos diferentes.

Jogabilidade da fórmula clássica

Gráficos são melhores no portátil
Gráficos são melhores no portátil

Voltando à jogabilidade em si, Assassin’s Creed II – e suas sequências – sempre apresentou uma grande evolução em relação ao primeiro game, pra mim, e isso acontece tanto no combate quanto na agilidade do personagem em termos de movimentação e parkour. O segundo AC transparece suavidade e precisão, mas não quanto você esperaria de um jogo assim. Subir em alguns locais ainda passa a sensação de que mais erramos do que acertamos, sem falar na lentidão do personagem ao realizar certas acrobacias, mas ao menos a escalada em si é um trabalho superior ao título anterior.

O combate oferece bem mais artimanhas para utilizarmos contra inimigos, como armas secundárias (espadas e projéteis), além de uma lâmina dupla para Ezio e um menu rotativo com diversos acessórios. Também há a possibilidade de nadar, o que expande um pouco mais as possibilidades comparadas ao AC de 2007.

O carisma do personagem certamente é o que o consagrou como o preferido de toda a série, e isso inclui a minha preferência pessoal. Ezio é um garanhão e rapaz imaturo, que muitas vezes demonstra prepotência, mas ele acaba mostrando um alto grau de amadurecimento conforme os jogos foram passando. Ao longo dos três títulos, todos protagonizados por ele, vemos seus crescimento como personagem, tanto em personalidade como também em uma aparência mais envelhecida – em AC Revelations. Além do mais, os conflitos envolvendo seus familiares traz um aspecto bem mais pessoal para o enredo, além de uma motivação convincente para quem está jogando. A saga de Ezio é basicamente uma história de crescimento da Ordem dos Assassino e do protagonista em si, como pessoa.

Enredo, personagem e versão para Switch

No portátil, falta de detalhes fica menos aparente
No portátil, falta de detalhes fica menos aparente

No mais, a fórmula clássica é predominada por muitas set pieces, o que chega a irritar um pouco. Fora isso, existem várias missões iniciais e trajetos em que tudo é basicamente pré-programado, sendo um tanto quanto maçante passar por algumas atividades repetidas vezes. Mesmo assim, uma vez que o mundo se abre e a liberdade é conquistada, aí sim a verdadeira experiência AC se inicia.

Navegar pelo vasto mapa é divertidíssimo, e mesmo realizar as missões menores e paralelas é algo interessante. Às vezes, algumas delas trazem pequenas histórias isoladas e momentos curiosos, então vale a pena correr atrás de algumas delas após finalizar o jogo. Fora isso, existem os coletáveis que tentam expandir o tempo da jogatina, mas sinceramente sempre achei bastante desnecessário existirem, exceto que essa versão tem sincronização com o Ubi Connect, que é um serviço online da Ubisoft que permite coletar pontos realizando tarefas em seus jogos para adquirir itens internos de alguns títulos – como skins para o personagem.

Performance na TV deixa a desejar
Performance na TV deixa a desejar

Em termos de mudanças na jogabilidade, é justo dizer que, apesar do enredo ser muito bem trabalhado através dos três games, a variedade que vemos entre um título e outro é mínima. Prepare-se para várias horas de missões bastante parecidas, e uma estrutura de gameplay que vai te deixar um pouco saturado caso seja o tipo de pessoa que jogue por horas a fio. Por isso, tenha em mente que The Ezio Collection é muito forte em termos de construção de mundo e personagem.

Tratando-se do port para o Switch, é possível ver downgrades claros se compararmos lado-a-lado com as versões da geração passada (Xbox One e PS4), mas, mesmo assim, digo com confiança de que os três títulos continuam agradáveis aos olhos nos dias de hoje. Porém, é preciso dizer que existem objetos “brotando” no cenário ao caminharmos, além de texturas e sombras com menor qualidade. A performance é bem aceitável e se mantém em 30 fps na maior parte do tempo. Na TV, porém, o fps cai notavelmente em certas áreas maiores e com mais NPCs, o que deixa um pouco a desejar – considerando a idade da coleção. Por fim, temos HD Rumble e suporte à toques na tela, esse último não acrescentando nada de especial em termos de funcionalidade.

Uma coleção e tanto

Apesar de alguns deslizes em termos de performance, a coleção da saga de Ezio é uma oportunidade de ouro para os donos de Switch passarem absurdas horas desbravando a Itália na pele de um dos melhores personagens da série. Mesmo assim, vale ressaltar que não há muita diferença de jogabilidade entre os 3 títulos. Por isso, tenha em mente que o maior chamariz por aqui vai ficar sendo por conta da construção do personagem, história cativante e tempo de jogo. Definitivamente, digo que vale a pena conferir, ainda mais se você prefere jogar no modo portátil. Por fim, o pacote inclui também o Assassin’s Creed Lineage e Assassin’s Creed Embers, dois curta-metragens produzidos há alguns anos – ambos disponíveis no YouTube, opcionalmente.


Jogo fornecido para análise pela Ubisoft Brasil.

Análise AC The Ezio Collection Switch
Excelente, com poucas ressalvas
Veredito
The Ezio Collection é uma coleção de peso para o Switch, além de uma grande oportunidade de conhecer um dos melhores personagens da saga.
Prós
Horas de jogo
Jogabilidade envelheceu muito bem
História cativante
Construção de personagem
Contras
Performance na TV
Esperava um pouco mais em termos de visuais
Jogabilidade não muda quase nada através dos três jogos
8
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