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Análise – Crash Bandicoot 4: It’s About Time

O marsupial retorna em uma aventura fantástica

Crash Bandicoot é um dos mais queridos personagens do mundo dos jogos. Quem esteve acompanhando videogames desde a geração 32-bits, pode se lembrar do marsupial e suas aventuras doidas, que divertiam diversos fãs do PlayStation 1. Após alguns anos esquecido pelas desenvolvedoras, o antigo mascote não oficial da Sony, voltou aos holofotes graças a remasters de suas aventuras originais e do seu excelente spin off de corrida.

Mas faltava algo para confirmar que o marsupial estava realmente de volta, um jogo novo. E a Activision cumpriu com as expectativas dos fãs ao lançar no ano passado, Crash Bandicoot 4: It’s About Time, no PlayStation 4 e Xbox One. Agora, alguns meses após seu lançamento inicial, o jogo finalmente chega ao Nintendo Switch.

JÁ ERA HORA

Crash Bandicoot 4: It’s About Time traz para os consoles modernos, a experiência tradicional da franquia. O jogo ainda é um excelente título de plataforma e sem sombra de dúvidas, um dos melhores do gênero que podem ser adquiridos no Switch.

E a trilogia original é de suma importância para a experiência de Crash Bandicoot 4: It’s About Time. A Toy For Bobs se inspirou bastante nos títulos que os fãs adoram, e por isso a experiência é familiar aos fãs mais antigos, entretanto, a desenvolvedora também adicionou diversas outras novidades com a intenção de conseguir que novos jogadores aproveitem o jogo.

A história do jogo começa logo após o final do terceiro título da série, Crash Bandicoot: Warped. A dupla de vilões, Neo Cortex e N.Tropy, finalmente conseguem escapar do seu exílio no passado, e acabam por consequência abrindo um buraco no espaço e tempo contínuo. Aku-Aku, a máscara guardiã de Crash e Coco, sente a mudança e logo coloca o marsupial para procurar a fonte.

Crash acaba acordando uma das Quantum Masks, Lani-Loi, e após uma introdução rápida, a dupla de bandicoots tem que acordar as outras máscaras e assim salvar o multiverso de ser destruído. E ao longo da aventura, os irmãos se deparam com velhos conhecidos, como Dingoodile, ex-vilão que decidiu abrir um restaurante e acaba se juntando a aventura por acaso, os vilões N.Gin e N.Brio e até mesmo uma versão alternativa da ex-namorada de Crash, Tawna, que agora é uma aventureira no melhor estilo Nathan Drake.

A aventura em Crash Bandicoot 4: It’s About Time é bastante divertida, com algumas boas surpresas acontecendo, e que ainda consegue divertir bastante os novatos. A melhor parte, é que o humor conhecido da franquia continua presente aqui, seja momentos geniais de transições, ou até mesmo as ações dos personagens que buscam aquilo, como Crash, que sempre se envolve em uma situação inesperada que acaba em risadas para o jogador.

E apesar de ter utilizado a viagem no tempo como um dos seus principais elementos para a composição visual dos cenários, igual ao terceiro jogo da franquia. A ideia aqui é aplicada de uma forma bastante diferente, oferecendo assim um novo jeito de usar o elemento mas com novas premissas.

UMA JOGABILIDADE BEM NOSTÁLGICA

Crash Bandicoot 4: It’s About Time, apresenta a jogabilidade tradicional que fez o personagem e seus jogos, serem tão queridos pelo público. E controlar Crash ou Coco, nunca foi tão divertido, mesmo que infelizmente, existem certos probleminhas.

Novamente, temos uma jogabilidade que mistura planos 3D e alguns momentos de jogabilidade em 2D. O jogo mistura bem as duas dimensões escolhidas e consegue intercala-los muito bem, sempre deixando que o jogador consiga se adaptar rapidamente quando há mudança.

Crash e Coco voltam aqui com as mesmas habilidades que possuíam nos jogos antigos. Ambos podem atacar inimigos com um rodopio, o pulo duplo retorna como um movimento base em vez de ser desbloqueado, e é possível até mesmo se agachar, dar rasteiras e utilizar a barriga de Crash – ou a bunda de Coco – para dar uma esmagada em tudo que estiver abaixo do personagem após um pulo.

A maior novidade fica por conta da adição de novas mecânicas em certas fases. Agora a dupla pode correr pelas paredes em certos locais, se agarrar a cordas, e até mesmo deslizar igual ao Sonic, em certos trilhos de skates que existem ligando partes dos cenários.

Além dessas novidades, algumas mecânicas antigas retornam aqui. Ainda é possível coletar frutas Wumpas, que agora servem principalmente para garantir até 3 gemas por estágios, quebrar caixas, ativar caixotes de explosivos, coletar máscaras Aku-Aku, que garantem proteção extra, e certos cenários até trazem novamente a mecânica do personagem está preso dentro de uma bola metálica, igual como aconteceu no jogo, Crash Bandicoot: Wrath of Cortex.

Os colecionáveis também retornam aqui, com diversos mini objetivos dentro dos estágios recompensando os jogadores com Gemas. Cada cenário tem até 6 das joias para serem adquiridas, uma escondida na fase, e as outras 5 recompensadas após o jogador completar um mini desafio, como quebrar todas as caixas de uma fase, completar o estágio com apenas 3 mortes no máximo e coletar frutas Wumpas.

Além de contar para a porcentagem de completação, as gemas também servem para desbloquear skins novas para os irmãos. Há diversas roupas legais para a dupla, algumas baseadas nos temas de certos cenários, enquanto há outras mais engraçadas, até mesmo referências antigas aparecerem, como a jaqueta de motoqueiro de Crash, e é possível até mesmo utilizar o visual de PS1 dos dois.

Além de gemas, também é possível adquirir as relíquias por completar desafios contra o relógio. Tais corridas contra o tempo são alguns dos desafios extras mais difíceis do jogo e servem principalmente para aumentar o tempo de vida útil do jogo.

NOVOS PERSONAGENS QUE SE ENCAIXAM MUITO BEM

Além da dupla Crash e Coco, o jogo oferece a opção de, em certas partes, jogar com 3 outros personagens, cada um com seus próprios cenários e extras. A versão alternativa de Tawna, Dingodille e o vilão N.Cortex. Cada um deles segue as mesmas regras básicas de jogabilidade dos irmãos – um hit e eles morrem – mas cada um tem sua própria jogabilidade.

Tawna é a mais parecida com Crash e Coco, mas traz uma mudança muito legal para a fórmula. A bandicoot tem acesso a um gancho que pode ser utilizado para nocautear inimigos que estão afastados, quebrar caixas que estão muito longe para serem alcançadas ou só completar desafios de plataformas. É uma adição pequena mas que deixa as coisas bastante divertidas.

Dingodile além de utilizar todos os movimentos normais, também pode utilizar um aspirador gigante para sugar itens para próximo de si. Além é claro, de poder utilizá-lo para ficar um pouco mais no ar ao pular. O estilo de jogo com ele é utilizar o aspirador ao seu favor, para poder derrotar inimigos e superar obstáculos que você encontrar pelo caminho.

Por fim, Cortex é o que mais se difere dos outros personagens. Apesar de ainda poder pular e sofrer com a mesma desvantagem do resto do elenco, o doutor não tem um ataque giratório e nem um pulo alto como os outros. Em vez disso, Cortex usa uma arma que pode destruir caixas com seus tiros de longa distância, e que pode transformar inimigos em plataformas, para assim ajudar o vilão a poder superar os obstáculos em seu caminho. Uma jogabilidade um pouco estranha e que pode parecer ser bem “difícil” de início, mas que logo dá para se acostumar.

ALGUNS PROBLEMAS DE JOGABILIDADE EXISTEM

Infelizmente, Crash Bandicoot 4: It’s About Time não tem uma jogabilidade perfeita, com alguns pequenos problemas aparecendo conforme você vai jogando. Existe um pequeno input delay que pode ser notado em certos momentos do jogo, as hitboxes são um pouco confusas e às vezes o próprio jogo ignora suas regras por nenhuma razão.

Um dos maiores problemas do jogo é sem sombra de dúvidas, as hitboxes. Crash e seus amigos podem sofrer bastante em certos casos por causa delas, seja você morrendo por um inimigo por estar próximo demais dele, ou errando um pulo por que o personagem caiu bem na pontinha e o jogo registra como se estivesse fora.

O outro grande problema tem em relação ao controle dos personagens, principalmente após um pulo. Se no chão, controlar Crash e os outros é extremamente prazeroso, quando o assunto é pulo, as coisas complicam. Isso porque, ao cair no chão, os personagens acabam se movendo um pouco, o que leva a alguns problemas quando você já está acostumado a segurar o analógico para se mover. Os pulos também podem atrapalhar em alguns momentos pela falta de controle total, com muitas das vezes causando a morte por ter pulado muito longe quando você não queria.

VIAGEM PELO TEMPO MUITO BONITA

Crash Bandicoot 4: It’s About Time é um jogo bastante bonito. Apesar do Switch rodar o jogo em uma resolução bem menor do que os rivais – 720p a 30 quadros por segundo – funções extras são utilizadas para dar uma maquiada no game e apresentá-lo de uma forma linda ao público.

Os modelos dos personagens possuem bastante animação e detalhes. É incrível como a Toy For Bobs conseguiu criar incríveis modelos e deixou eles bem animados, e mais incrível ainda que isso consiga rodar sem problemas no Switch.

Os cenários também são outra incrível maravilha do jogo. Apesar de você só viajar por uma parte dos mesmos, eles são enormes e cheios de detalhes. E são muito bonitos, cada um representando bem a era que os personagens viajam. O cenário japonês por exemplo, é cheio de elementos que representam a era dos samurais e ninjas, enquanto no cenário de festas é possível ver balões que representam diversas outras franquias como Spyro.

E os inimigos se adequam perfeitamente a cada cenário, tendo assim bastante variedade presente no jogo. No estágio pré-histórico temos plantas antigas e dinossauros pelo caminho, enquanto no de neve encontramos esquiadores que precisamos desviar. Isso é algo bem legal, mostra que os desenvolvedores se importaram em deixar com que cada mundo fosse único e trazer, é claro, uma personalidade própria a eles.

Entretanto, se os cenários são bonitos e os inimigos são bem modelados, o mesmo não se pode dizer do level design. Muitos estágios se esticam demais e adicionam bastante elementos de jogabilidade diferentes ao mesmo tempo, fazendo-o se tornar algo chato e que vai irritar bastante. Em alguns cenários a presença constante de elementos de morte automática ao falhar uma ação, faz com que o jogo se torne mais como um exercício de testar seus reflexos do que um desafio justo. E isso acontece bastante perto do final do jogo.

OPÇÕES PARA NÃO DEIXAR NINGUÉM DE FORA

Uma das maiores surpresas para mim em Crash Bandicoot 4: It’s About Time, foi descobrir que o jogo tem opção de legenda e dublagem em português do Brasil. A Activision fez um bom trabalho com a tradução do jogo, apesar de algumas frases serem traduzidas diretamente do inglês e acabam por ficar sem sentido. Os dubladores também são boas opções, apesar de alguns serem questionáveis, com Lani Loni recebendo uma dubladora que decidiu focar em fazer uma voz um pouco estranha comparada a original, ou a velha máscara Kupuna-Wa tendo uma voz mais jovial ser comparada a dublagem americana.

É claro, ainda há a opção de jogar com texto e idioma original, inglês, assim como também diversos outros idiomas. Mesmo assim, fãs dos jogos antigos notaram que os dubladores americanos novamente foram substituídos, o que pode ser bem chato para quem estava acostumado com alguns dos dubladores antigos. Como fã de Nolan North (o dublador de Nathan Drake de Uncharted), fiquei bem desapontado em ouvir uma nova voz saindo da boca do vilão N.Gin, entretanto os novos dubladores continuam tendo boas performances, e alguns até me surpreenderam.

Fica a gosto de cada um jogar com a tradução que ele preferir, e acho muito legal como a Activision nos trouxe essa opção. Apesar de ser um jogo com poucas conversações, a possibilidade de texto em nossa língua é algo fantástico que vai ajudar com que muita gente possa aproveitar o jogo.

Além de efeitos sonoros, a música do jogo também é muito boa. Melodias novas foram criadas e é possível notar a referência que títulos passados tiveram nas composições. Cada um dos temas dos estágios combinam bem com aquele cenário ali presente e outras mais específicas ficam até agora na minha memória, realmente foi um trabalho muito bom o realizado aqui.

UMA EXPERIÊNCIA INESQUECÍVEL

Crash Bandicoot 4: It’s About Time, é sem sombra de dúvida um jogo inesquecível que ficará na memória de quem joga-lo. Seja por todas as coisas boas, como bom elementos de plataforma, bastante conteúdo adicional e história divertida. Ou então por seus momentos ruins como sua alta dificuldade na hora de perseguir alguns dos objetivos extras do jogo. Entretanto, o jogo é um dos melhores lançamento de 2021 para o Nintendo Switch e é recomendado para qualquer fã de jogos de plataforma, mesmo se você nunca jogou nenhum título do marsupial antes, este é uma ótima recomendação para começar a conhecer Crash Bandicoot.

80%
Divertido e Desafiante

Um ótimo desafio te espera aqui

Crash Bandicoot 4: It's About Time é uma experiência fantástica e extremamente recomendável a qualquer fã de jogos plataformas. Certamente um dos melhores jogos a ser lançados em 2021 para o Switch.

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