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Análise: Deadly Premonition Origins

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Deadly Premonition foi lançado originalmente para o Xbox 360, sendo posteriormente lançado também no PS3 e no PC e finalmente chega ao Switch como Deadly Premonition Origins. Deadly Premonition, mesmo para os padrões da época de seu lançamento original, tem gráficos absolutamente terríveis, modelagens e animações feias, desempenho ruim, jogabilidade desinteressante e mais uma série de defeitos que, tecnicamente, fariam desse jogo um produto que deveria ser ignorado pelos jogadores.

Porém, Deadly Premonition também é o raro caso de um jogo que vai muito além da simples soma de suas partes. A experiência de Deadly Premonition é algo tão bizarro e bastante único, sendo que os defeitos individuais acabam por serem ofuscados pelos pontos onde o jogo se destaca. Eu, pessoalmente, adoro o título desde a versão de PS3 e rejogá-lo no Switch após tantos anos ainda foi uma experiência única e bastante agradável. O port de Switch é surpreendentemente fiel à versão de PS3, problemas inclusos.

A história acompanha o agente do FBI, Francis York Morgan, em sua busca por um assassino em série, sendo que um dos pontos em comum entre as vítimas é a presença de sementes vermelhas próximas aos corpos. Sua investigação o leva a pequena cidade de Greenvale, onde um misterioso assassino com jaqueta de chuva vermelha e um machado inicia uma nova série de assassinatos e que também demonstram ter relação com as sementes que York investiga. O agente então assume a investigação do misterioso assassino e tenta prendê-lo.

York, no entanto, não é um agente comum do FBI. York tem um amigo invisível chamado “Zack” com o qual York gosta de ter conversas sobre a investigação e filmes da década de 80 e 90, uma de suas principais técnicas de investigação utiliza de uma caneca de café e ele entra numa espécie de mundo paralelo cheio de aberrações para obter pistas em suas investigações. Esse lado bizarro de York é presente pelo jogo inteiro, inclusive na população de Greenvale..

Ao contrário de muitos jogos, a população de Greenvale tem sua própria rotina. Suspeitos irão na pequena lanchonete da cidade almoçar, depois irão para seus trabalhos, estarão em casa ou no bar ao anoitecer e muito mais. Isso significa que muitas missões principais têm horários que devem ser respeitados e isso também vale para missões opcionais. Essa rotina torna os personagens em Deadly Premonition muito mais acreditáveis do que NPCs em demais jogos e ajudá-los com suas missões opcionais traz momentos que realmente tornam a experiência do jogo ainda mais especial.

Assim como York, a população de Greenvale tem muitas pessoas incomuns e conhecê-las é um dos grandes atrativos do jogo. As cenas e pequenos momentos com a população ajudam na caracterização do título fazendo com que se destaque de maneira positiva quando comparado à demais jogos. Ajudar a dona o Hotel, Polly, em achar uma lembrança de seu marido, almoçar com a equipe de investigação ou correr pela cidade antes que o pote de uma cidadã esfrie são algumas das experiências bizarras e brilhantes que passei no meu tempo em Greenvale.

O jogo utiliza desse lado estranho para fazer com que o jogador nunca saiba o que esperar. Deadly Premonition constantemente brinca com as expectativas do jogador, prende sua atenção e surpreende de maneira inesperada, sendo essas características a principal razão pelo qual o título tem se tornado cada vez mais popular com o tempo.

A jogabilidade de Deadly Premonition se divide em duas partes: Mundo aberto e o mundo paralelo. O mundo aberto envolve dirigir por Greenvale, realizar missões opcionais, cuidar da saúde de York e ir até as missões principais. Nesse ponto, ele lembra um GTA muito mal feito e sem a possibilidade de causar destruição na cidade (você é um agente de lei).

O mundo paralelo tem uma ambientação mais sombria e a jogabilidade é a de um TPS similar a Resident Evil 4, mas sem o polimento do clássico da Capcom. Os inimigos são “zumbis” que se movimentam de maneira bizarra e são fáceis de derrotar com poucos tiros ou com um pé de cabra. O único perigo real é o assassino e alguns eventos que você deve apertar o botão correto antes que um timer se esgote. Há poucos tipos de inimigos, portanto, essas partes não são interessantes pelo combate, o ambiente também não assusta o jogador, os “zumbis” abraçam York para machucá-lo, algumas fases são longas demais, etc. O interessante dessas partes é coletar as pistas para que York consiga “ver” o que aconteceu com cada vítima e ir desvendando o mistério aos poucos.

Jogo analisado com código fornecido pela Toybox Games.

80%
Ótimo

Deadly Premonition é o raro jogo que proporciona muito mais do que a soma de suas partes. É um título recomendado para aqueles que conseguem aceitar uma produção absolutamente terrível em todos os aspectos possíveis e, em troca, conseguirão uma experiência verdadeiramente única e especial.

  • Design

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Amiibo
Mariokun

Eu adoro esse jogo por mais tosco que ele seja. É como descrito na análise: a produção do jogo é pobre, mas os personagens cativantes e a história intrigante tornam o jogo maravilhoso e mesmo o fato dele ser um tanto quanto repetitivo não é cansativo.