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Análise: Deep Ones

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Deep Ones é um jogo de plataforma 2D retro que remete ao antigo ZX Spectrum que já tinha uma versão da Steam, mas que agora chega ao Switch. Foi desenvolvido e distribuído pela Sometimes You. Deep Ones tem uma temática subaquática, onde um mergulhador perde seu submarino e deve recuperá-lo. A história é na verdade mais uma esquete para o game, que não aprofunda em nada nela.

Logo no primeiro nível sentimos a diferença de um jogo que se passa de baixo da água, com movimentos e comandos lentos, o que não é um ponto negativo, já que se trata de um jogo subaquático e comandos lentos dão uma imersão maior ao game. Não há segredo em jogar Deep Ones, é apenas andar, pular plataformas e atirar em inimigos. Os níveis são a maioria todos muito parecidos e torna o jogo maçante depois de um tempo, há uma dificuldade “ok”, mas a maioria dos níveis exigem memorização do que fazer, mesmo que o jogo te dê a sensação de que o Level Design poderia ser melhor boa parte do tempo.

Há algumas coisas na jogabilidade de Deep Ones que chamam a atenção, pois não é possível atirar em quanto pula, em inúmeras vezes você aperta o botão uma vez e saem dois disparos, tornando todo o game muito travado. Também não é um jogo linear o tempo todo, sendo necessário explorar para concluir um nível algumas vezes.

Por mais que a jogabilidade não seja nada original, as batalhas contra chefes são as mais divertidas. Envolvem sim uma memorização para derrotar o chefe, dificilmente passando de primeira, mas o que chama mais a atenção é a arte. Ainda que o jogo tenha níveis muito parecidos, a arte é muito bonita e colorida e chama muito mais atenção durante as batalhas com chefes.

A trilha sonora não é retro e tem um estilo mais eletrônico, porém, bem suave. Longe de ser ruim, mas por não ser retro acaba até não combinando com o game as vezes, incluindo nas batalhas contra chefes. Já os sons que são feitos pelo protagonista são retros e combinam perfeitamente com o game.

Jogo fornecido gentilmente pela Sometimes You para análise.
Deep Ones está disponível na Nintendo eShop por 4,99 dólares.

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Zain ZahirBocciTsunami Autores de comentários recentes
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Zain Zahir
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Zain Zahir

Review: Deep Ones

Jogo indie, estilo retrô, com temática submarina e referências a Bioshock (na submersão), Monkey Island (na história) e Lovecraft (no medo existencial e no fantástico).

A tela inicial do game é bem simples, tão simples quanto tudo no jogo é. Ao iniciar em “new game” temos uma pequena “animação” feita com a própria arte do jogo, onde dá início a “história”. Nosso personagem é um mergulhador que sofre um acidente com seu submarino, então ele sai para consertar e é atacado por um polvo gigante vermelho que e leva seu submarino para o fundo. E nessa premissa inicia o game.

Não há diálogos nem textos, seu personagem simplesmente afunda até encontrar “terra” no fundo do abismo. O protagonista não tem nome e não sabemos nada e nem o motivo dele estar ali “passeando” de submarino, e muito menos o que motivou o polvo vermelho a pegar seu submarino.

O objetivo do jogo é resgatar o seu veículo aquático e ponto.

Quem já viu imagens ou vídeos do jogo, pode notar que o fundo é totalmente escuro e os elementos do jogo são coloridos, cada elemento uma cor e esse contraste colorido, a vegetação, animais marinhos, seu personagem e algumas outras diversas coisas que aparecem durante o jogo, conseguem passar uma sensação de estar sim no fundo do oceano. Alguns detalhes possuem uma iluminação dinâmica em 3D que dão um toque especial a arte do game, provavelmente é a causa da sensação que muitos têm ao olhar o jogo e achá-lo belo e simples, interessante e misterioso, evidentemente essa sensação resulta na vontade de experimentá-lo.

Diferente da análise acima, achei a movimentação fluída. A sensação de “dureza” se dá por estar em baixo d’água, logo, se você está dentro da água, com uma roupa modelo antigo de mergulho (sim, o jogo não é apenas retrô em sua temática game, ele também é retrô em sua temática submarina, a roupa do nosso protagonista é daqueles modelos pesados, você não nada com aquilo, você afunda e se move lentamente). Claro que isso causa uma sensação de estar travado, mas faz parte da temática, causando também a sensação de controles “duros”.

Assim, é preciso pegar o jeito, é necessário analisar o movimento dos seres aquáticos (principalmente daqueles que ferem o jogador, os inimigos), então se planejar, escolher uma estratégia que se adeque com a movimentação que o traje permite para poder vencer os inimigos em tela. Sobre os inimigos, há diversos tipos: os que atiram projéteis, os que possuem movimentos previsíveis, os que possuem movimentos imprevisíveis (aleatórios), e há aqueles que têm períodos em que ficam invulneráveis (é preciso observar para então decidir como agir).

No início tudo vai parecer mais difícil do que realmente é, principalmente pela adaptação do controle, por estar sem arma (e leva um bom tempo até que consiga encontrá-la), e também porque com tantas cores em tela, no começo tive a sensação que não sabia exatamente distinguir o que iria causar dano ou não (é uma aprendizagem por experiência – depois claro, você consegue identificar o que vai causar dano ou não, sua memória começar a fazer a seleção dos elementos que você já sabe que não fazem nada versus novos elementos em tela que o fazem ficar mais alerta).

Mas normalmente, o avanço do jogo, de modo geral, é por tentativa e erro, isto é, às vezes você vai pular num “buraco” achando que vai descer em algum lugar e descobre que caiu num “buraco da morte”, outras vezes você vai cair nesse buraco não porque quis, mas porque planejou seu salto errado mesmo (ao retornar ao ponto anterior, agora com a experiência aprendida, você vai acertar o salto ou evitar o pulo).

E sim, o jogo possui pontos fracos e um deles é seu level design que é o que dá ao game um ar de cansativo e repetitivo. Aí vai do estilo de cada um, isso pode ser motivo para depois de jogar uma vez nunca mais retornar ao game ou depois de terminar sentir vontade de jogá-lo novamente. O fato é que mesmo no caso mais positivo da questão, o replay do jogo não é dos mais altos, eu diria que o game apela para um gosto pessoal pela temática mor do jogo.

E sobre essa temática mor, chegamos a referência no game que mais atraiu atenção, acredito para muitos, é a temática Lovecraft e que infelizmente não é abordada durante todo o jogo, mas aparece de forma bem acentuada nas partes finais do game. As criaturas desconhecidas, estranhas e ameaçadoras causam um impacto que mantém o interesse do jogador, principalmente se gostar dessa temática. É realmente uma pena que todo o clímax do jogo esteja apenas nesses momentos finais, e sim, dá uma sensação de que valeu a pena (algo como: foi pra isso que comprei esse jogo porque queria ver e sentir essas referências).

Agora lembre-se:
O jogo é retrô e como tal ele tenta “emular” algumas coisas dos jogos retrô dos anos 1980, como exemplo: bugs visuais que não acredito que tenham sido planejados, parece mais trabalho de preguiçoso, mas não atrapalha no gameplay, opções não intuitivas, controles com sensação de dureza nos movimentos (mesmo que bem alinhados com a temática aquática do mesmo), dificuldade em alguns momentos desbalanceada, entre outros pontos comuns dos jogos retrô.

O ponto mais baixo realmente é sua trilha sonora que, devo dizer, é bem feita, mas em vários momentos, arrisco dizer que em 90% deles, não condiz com o momento do jogo. E às vezes isso tira um pouco do suspense que o jogo deveria entregar (ou seja, na tela, o suspense está ali, mas a música parece animada demais para aquele momento), isso é muito incoerente. Vale ressaltar que a música não é ruim, apenas não está sintonizando com o que ocorre no jogo na maior parte das vezes, mas existe ainda poucos momentos, os outros 10%, que ela acerta e o jogo consegue trazer a emoção e sensação necessárias no momento exato.

Acaso até aqui você não tenha percebido, o game é um jogo de terror ou com temática de terror, a ideia que o jogo tenta passar é o medo do desconhecido e como esse desconhecido pode ser, ao mesmo tempo, fantástico.

No mais o jogo é notável, desafiador e para quem curte o estilo, merece ser jogado e explorado. Reviravoltas na história acrescentam um tempero a mais e algumas surpresas.

–> Nota: 7,5 de 10,0

Tsunami
Amiibo
Tsunami

Joguei a demo e achei horrível esse jogo.