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Análise: Detention

Detention se passa em Taiwan na década de 60, num cenário onde o país está em conflito com outras nações e está passando por diversas reformas. É uma época tensa, regrada e fria. E é nesse contexto que se situa o jogo e também onde as desventuras dos personagens principais começam. Apesar de ser classificado como jogo de terror, Detention acaba indo muito além do que se espera de um jogo do gênero e leva o jogador por uma viagem emocionante sobre decisões e consequências.

Trata-se de um jogo muito bem ambientado, que consegue transportar o jogador para uma outra era e cultura. A atenção aos detalhes se faz notar em cada canto: desde objetos tradicionais espalhados por toda a escola, como nas entidades baseadas na cultura mística local, e no modo de agir dos diferentes personagens. Parte da sensação de frescor e originalidade vem justamente da imersão bem sucedida numa cultura tão diferente da ocidental.

Isso não quer dizer que o  aspecto terror do jogo não seja bem trabalhado: os visuais que misturam realidade com fantasia compõe muito bem o ambiente, que chega a ser bastante atmosférico e denso, e a trilha sonora que está quase sempre presente para preencher a escola com ansiedade e tensão, acabam fazendo com que o jogador fique boa parte do tempo sobre pressão.

O jogo tem uma maneira peculiar de contar seus eventos, o que leva o jogador a sempre vasculhar os cenários atrás de pistas e dicas. Aos poucos as peças vão se juntando e é possível perceber do que a história de trata e dos motivos por trás de cada personagem. Esse estilo de narrativa acaba beneficiando e disfarçando a curta duração do jogo, que é possível ser fechado em cerca de 3 ou 4 horas. Porém, há três finais alternativos, bem distintos um do outro, que acabam incentivando novas jogatinas e exploração extra.

Os inimigos estão presentes em Detention, porém não é possível derrotá-los.  Ao invés disso, a personagem principal, Ray, deve prender a respiração para passar despercebida ou distrair os fantasmas e demônios com oferendas. Isso acaba aumentando ainda mais o nível de tensão do jogo, bem como abre possibilidades para ludibriar as entidades, o que enriquece a jogabilidade. Um ponto que pode ser considerado antiquado é a necessidade constante de estar salvando manualmente, o que de certa forma também contribui com a sensação de ameaça constante, mesmo que de forma um pouco artificial.

E por falar em jogabilidade, na alma do jogo estão os quebra cabeças. O deslocamento pela escola e suas estruturas adjacentes lembram bastante o primeiro Resident Evil; onde são necessários certos itens, que são obtidos pela resolução de quebra cabeças, para acessar novas áreas. Eles não chegam a ser muito desafiadores, mas o jogo também não segura a mão do jogador em nenhum momento, fazendo-se sempre necessário investigar e raciocinar. O que ajuda nesse esquema são os menus minimalistas que são fáceis de navegar e que contam com documentos e itens obtidos ao longo da jornada para não tornar a experiência maçante.

Por fim, é importante dizer que Detention não é um jogo que se baseia em jump scares, apesar de ter dois ou três ao longo da campanha para manter as coisas dinâmicas. Trata-se de uma experiência de terror psicológico, que também leva o jogador a refletir sobre questões importantes da vida como amor, educação, patriotismo, responsabilidade e convenções sociais.

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