A casa de notícias para os fãs da Nintendo

Análise – King of Seas

O mundo procedural, nem tão imersivo assim, dos piratas

 King of Seas é um jogo gerado proceduralmente que traz uma temática pirata, em que levantaremos nossa âncora e sairemos em alto mar em busca de afundar os navios reais – e até mesmo seus próprios companheiros. Aqui, temos a opção de escolher entre a personagem feminina Marylou, ou seu irmão, o personagem masculino, Luky, ambos filhos do rei Alexander. Escolhendo qualquer um dos dois, nossa jornada inicia no forte da realeza, com a data em que o(a) jovem se torna capitão de um navio e sai em alto mar rumo às sua primeira missão de entrega de pólvora, acompanhado por sua tripulação real que lhe dará as primeiras lições de navegação. Após sua finalização, o personagem se encontra em uma difícil situação em que ele é acusado de assassinar seu próprio pai. Com isso, inicia-se uma batalha em grande desvantagem contra o navio do jovem capitão.

Dado como morto, os membros da realeza partem novamente ao forte real para reportar a execução do filho do suposto assassino do rei. Depois dos eventos iniciais, somos resgatados por piratas, do bando de Captain D. Morgen, e levados ao Eagle’s Den, uma ilha abandonada há anos e não mapeada, onde o protagonista tem a chance de um recomeço e de limpar seu nome da falsa acusação.

Torne-se o Rei dos Mares!

Personagens selecionáveis

A navegação consiste em içar velas e usar o vento a seu favor para aumentar a velocidade em até 3 diferentes níveis. Ao redor do mapa – com vários cenários iguais, por sinal -, é possível ancorar em portos, que funcionam basicamente como pontos de salvamento para reparar o navio em carpinteiros, guardar e retirar dinheiro do banco, comprar itens úteis e kits de reparo rápido no mercado, recrutar novos tripulantes a troco de dinheiro na taverna, etc. No menu principal, é possível gerenciar seus itens, aprimorar habilidades quando atingido um novo nível – que modificam levemente a jogabilidade por meio de aumento de ataque, defesa, etc -, além de trocar o equipamento.

Também existem missões secundárias, possíveis de serem adquiridas no mural de novidades nas tavernas dos portos espalhados pelos mapas. Estas tarefas paralelas concedem pontos de experiência, além de itens específicos como recompensa. É uma boa forma de obter dinheiro sem precisar arriscar seu instrumento de trabalho em combate, ou então uma maneira de partir para missões que não envolvem conflito direto. Outro ponto bacana, senão o melhor de todos, é o upgrade do nosso navio. Podemos comprar embarcações maiores, como o Galleon e seu maior número de velas, maior velocidade de navegação e um poder de fogo abismal que é multiplicado pela quantidade de canhões instalados.

É, nada mal

Quando encontramos inimigos próximos, podemos iniciar um confronto caso iniciemos um ataque e este acerte a outra embarcação. As batalhas contra NPCs são bem simples e diretas ao ponto, resumindo-se em circular o adversário enquanto o ataca com suas melhores armas, que vão desde balas comuns de canhões até um lança-chamas – sim, você não leu errado -, ou outras habilidades equipáveis que surtem efeito no adversário. Além disso, é possível trocar o tipo de ataque para danificar diferentes partes do navio, diminuindo sua performance ou eliminando-o completamente.

Caso alguma facção parceira esteja próximo da bagunça em alto mar, o navio “amigo” instantaneamente começa o inimigo a atacar juntamente com você – comumente acontece entre o bando dos piratas e a realeza. Quando derrotamos alguém, podemos coletar todos os itens deixados por ele, o que acaba sendo bastante útil para adquirir novos equipamentos sem precisarmos necessariamente comprá-los nos mercados dos portos. Tome cuidado também ao atacar embarcações considerados neutras, como a facção de mercadores. Atacá-las perto de seus portos causará um contra-ataque de sua artilharia mais pesada, o que será uma tarefa difícil a de escapar com vida.

Outro fator interessante é a flutuação dos preços dos itens no Mercado. Lembro-me de uma mecânica similar existente em GTA Chinatown Wars, em que podíamos comprar “produtos” ilegais entre mercadores espalhados na cidade, para depois revendê-los por um preço maior e, também, adquirir outros por um preço mais baixo. Em King of Seas, é possível conseguir vender itens e faturar grandes quantias em alguns locais do mapa, e isso é comunicado através de uma seta verde ou vermelha, representando se vale a pena comprar ou vender certo produto naquele porto.

Gráficos na média, interface levemente problemática e falta de imersão

Tretas em alto mar

Eu diria que os gráficos da versão de Switch estão ok, muito dentro do padrão dos ports para o console da Nintendo. É possível notar a remoção de sombras em vários locais para manter o fps em 30 constantemente. Com isso, a água do mar acaba ficando um tanto quanto superficial, com um aspecto de plástico de piscina, mas às vezes impressiona quando aproximamos a câmera no entardecer. Mesmo com esses downgrades, o jogo às vezes dá uma “enroscada”, fazendo o navio teleportar alguns centímetros para frente.

Já a trilha sonora cumpre muito bem seu papel com temas aventurescos, mas com poucas variações em uma playlist bem limitada que acaba ficando enjoativa depois de alguns minutos. Outro problema é que, ao abrir o menu, a música pausa abruptamente, o que transmite uma sensação bem desconfortável. Seria melhor permitir com que ela continuasse tocando, e é até meio óbvio ter que dizer isso. O mesmo acontece com a consulta ao mapa, algo feito a cada 10 segundos porque não tiveram o bom senso de adicionar um minimapa no canto inferior da tela, algo extremamente básico para jogos de mundo aberto.

Cenários parecidos

Em termos de interface de usuário, as fontes e todo o estilo visual dos menus fazem muito bem o trabalho de ambientar o jogador em um tema de pirataria, além de ser bem fácil navegar entre as opções e interpretar o que elas significam – ponto positivo. Porém, algumas vezes a fonte com serifa atrapalhou a legibilidade e ficou difícil de ler, sem falar outros momentos em que o tamanho da escrita é ridiculamente pequeno. Jogando na TV, deveriam ter colocado letras maiores já que a resolução aumenta em comparação ao ppi do console – no modo portátil a leitura é mais agradável, até porque você está bem próximo à tela.

Outro ponto que desagrada é a falta de checkpoint entre pontos do mapa. Uma vez ancorado em um porto, o jogo mostra um ícone simbolizando que nosso progresso está salvo, o que de fato acontece. Porém, uma vez que somos derrotados em uma batalha, voltamos ao ponto inicial da missão, o que pode ser realmente longe do destino. Apenas os itens, dinheiro e pontos de experiência são mantidos, porém, a frustração de ser arremessado para o porto inicial ainda é bastante irritante. Isso vale mesmo para a dificuldade mais fácil, o que poderia ter sido modificado para aqueles que desejam uma experiência menos punitiva.

Chegando no porto

Agora, algo irritante mesmo é o fato de não existir uma zona verdadeiramente segura. Caso algum navio inimigo esteja te perseguindo e sua velocidade seja muito maior do que a sua, certamente ele te alcançará. E não adianta fugir para o porto mais próximo a fim de salvar o progresso ou algo do tipo, pois você será atacado e impedido de ancorar sua embarcação até que tenha sumido do radar inimigo.

Por fim, como já tive contato com outros jogos que me apresentaram experiências de navegação mais imersivas, fica difícil não comparar King of the Seas com eles. Um grande exemplo é a série Assassin’s Creed, que passou a ter combates em alto mar e navegação com uma câmera posicionada de forma bem interessante. A sensação de imersão e aventura era bem maior, e King of the Seas até permite uma visão mais aproximada da sua embarcação, porém, mesmo assim, a câmera fica “em cima” de seu navio, impedindo qualquer forma de ver à frente. Felizmente, um simples update com opção de abaixar o ângulo da visão já resolveria isso facilmente.

A pirataria já foi mais divertida

King of Seas não é um jogo tão imersivo e divertido quando se trata do tema ao qual ele se propõe a representar. Já tive experiências mais profundas, como o próprio Assassin’s Creed Black Flag e um indie chamado Under the Jolly Roger. Aqui, você passará a maior parte do tempo navegando em alto mar, sem ter a chance de ancorar em ilhas espalhadas pelo mapa, explorar terras e encontrar tesouros, além de outras coisas que se espera em um aventura com tapa-olho. O ponto positivo de tudo ser gerado proceduralmente é que sempre enfrentaremos desafios diferentes, mesmo que não criados à mão e pensados em cada detalhe. Isso amplia o tempo de jogo, mas não necessariamente dita a qualidade em uma mesma proporção.

Depois de algumas horas, tudo acaba ficando bem repetitivo, e mesmo a melhor parte da jogabilidade, que são as batalhas, caem nesse mesmo balaio. Infelizmente as missões são muito parecidas, e tentam explorar ao máximo a quantidade de mecânicas existentes em King of Seas – que não são muitas. O que instiga logo de início é saber os navios possíveis de serem comprados, porém, uma vez adquirido o suprassumo das embarcações, as coisas parecem perder um pouco o sentido, mesmo com o mundo à nossa volta. Coletar equipamentos e aprimorar sua embarcação é divertido, mas algo parece faltar o tempo todo no game da 3DClouds.

Jogo fornecido para análise pela Team17.

King of Seas Capa
King of Seas
Veredito
King of Seas é um jogo gerado proceduralmente com a temática pirata, que acaba pecando em sua pouca variedade e falta de imersão.
Prós
Batalhas simples e diretas
Navegação precisa
Upgrades divertidos
Compra de novas embarcações instigante
Contras
Repetitivo em poucas horas
Missões similares
Poucas mecânicas
Exploração maçante
Cenário genérico e muito parecido
6
Faltou um gole de rum
Comentários