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Análise: Layers of Fear: Legacy

Em Layers of Fear: Legacy você acompanha um pintor (cujo nome não é revelado) que tem como pretensão completar a sua obra-prima. O objetivo principal, buscar numa casa, típica do estilo vitoriano, os materiais necessários. Durante o percurso nós iremos conhecer mais do artista e sua família, por meio de cartas, desenhos, bilhetes e com o próprio cenário.

Quero destacar primeiro as referências desse jogo. A primeira à era vitoriana, que é especialmente conhecida pelo seu culto à morte, causado pelas condições de vida da época, faziam da mortalidade, mesmo nas classes altas ser bastante alta, por volta dos 44 anos, e dos trabalhadores de 25 anos, e crianças, somente 43% delas sobrevivia para além dos 5 anos. Então, nessa época era muito comum a obra de arte como forma de registro familiar, dos momentos, e principalmente, como recordação da memória daqueles que morreram. E segundo à Silent Hill, o game é um terror psicológico que carrega inúmeras referências, sutis e não sutis com o icônico game.

Pois bem, o game é primoroso nesse sentido, a ambientação e o período histórico não poderia ter sido melhor escolhido, encaixa como uma luva no conceito do game. Joguem o game e comparem depois com as obras de arte do período, é de impressionar a qualidade do que foi apresentado. O mesmo vale para a casa em si: os pisos, candelabros, as decorações, a localização dos quadros, das esculturas, as portas em madeira, o papel de parede, os tapetes, as grandes prateleiras de livros, absolutamente tudo muito bem representado no game. Os gráficos do jogo são muito bons com iluminação interessante, boas texturas. O game às vezes dá algumas engasgadas é verdade, mas nada que prejudique a jogatina.

O terror também, cada sala, cada corredor terá um elemento preparado para te deixar tenso e apreensivo. A trilha sonora, também, referência direta à época vitoriana, em especial ao estilo de Erik Satie. Risadas, gritos, choro de criança, latidos de cachorros, voz de mulher pedindo socorro. O jogo usa inúmeros elementos para te atrair para a trama, e os sustos acontecem naturalmente.

O game exige do jogador atenção, na busca dos elementos da história, tendo sempre muitas gavetas para abrir. O game em alguns momentos te dará opções de caminhos à seguir, portanto, fique avisado que deverá jogar o game inúmeras vezes para poder finalizá-lo. O game infelizmente é curto, cerca de duas horas para finalizá-lo, porém, os três finais garantem um ótimo fator replay. No game existe a impossibilidade de ver uma tela de game over, o que faz o game fluir sem se interromper em momento algum, acelerando a conclusão.

Os controles também são bastante diversos, sendo que o game até lhe incentiva a jogar com os controles de movimento, com os joy-cons, um em cada mão. Pra ser sincero, eu não me adaptei aos controles por movimentos. Não que eles sejam ruins, acho que longe disso, mas me senti mais confortável utilizando os controles convencionais. Tendo em vista de que se trata de uma opção, ainda que eu não tenha me adaptado, vejo com muitos bons olhos que as produtoras queiram explorar outras formas de gameplay, e, portanto, a opção é sem dúvidas um ponto positivo.

Além disso, o pacote já vem com a DLC Inheritance, onde você jogará, dessa vez como a filha do pintor e conhecerá mais detalhes sobre a família. O conteúdo do Inheritance não adiciona tantos detalhes assim à história, mas é muito bem-vindo. O preço de US$20,00 pelo game completo não é injusto, mas, convertendo ao real, fica mais caro que sua contraparte na Steam que está hoje R$42,00. De qualquer forma, para pessoas como eu, que tem um computador modesto, incapaz de rodar o game, ainda assim é recompensador tê-lo no Switch.

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