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Análise – Monster Hunter Rise

O melhor Monster Hunter de todos os tempos

Monster Hunter Rise é a mais recente entrada na franquia Monster Hunter. Lançado em março para o Nintendo Switch, o jogo promete ser a experiência definitiva tanto para jogadores veteranos quanto para novos caçadores em busca do seu primeiro dente de Serpássaro. Mas será que cumpre o que promete? Vamos conferir.

Antes de mais nada, vamos falar da história. Quê? Tem história em Monster Hunter? Sim, jovem padawan, por incrível que pareça, Monster Hunter tem história. E a história deste jogo consiste em ser a única jovem caçadora de monstros habilitada da Aldeia Kamura.

A Aldeia Kamura é um lugar pacífico com inúmeras personagens extremamente únicas e marcantes. Cada uma delas tem personalidade própria, mesmo NPCs que a gente costuma ignorar, como o Ferreiro e o Mercador, querendo apenas usar os serviços.

Entretanto, a aldeia vive com medo de um fenômeno chamado Frenesi, no qual vários monstros atacam ao mesmo tempo. É um fenômeno que acontece de tempos em tempos; na última vez, 50 anos antes da história atual, quase acabou com toda a aldeia. Sinais apontam para a volta desse fenômeno, e é aí que você, nova caçadora ou caçador, entra na aventura. E aí começa a primeira coisa legal do jogo: A customização é quase infinita! Divirta-se criando sua personagem exatamente do jeito que quiser, do desenho da orelha à voz.

Desde missões de buscar e coletar materiais até matar os monstros cada vez maiores, Monster Hunter Rise aos poucos introduz o mundo de Monster Hunter para quem nunca jogou, ao mesmo tempo em que permite aos veteranos no jogo atravessarem a história o mais rápido possível pra ir jogar online e caçar monstros cada vez mais difíceis.

Apesar da história, o jogo consiste basicamente da mesma fórmula de sempre. Faça um número específico de missões de certo nível pra habilitar uma missão urgente, que libera missões mais difíceis, e assim sucessivamente, até atingir o limite. Volte para a aldeia, aceite missão, coma dengos, cace monstro, volte para a aldeia, aceite missão, coma dengos, cace monstro… Enfim, você pegou a ideia geral. Mas por mais repetitivo que pareça, como cada monstro tem características únicas, a caçada em si é bastante variada, e todos os elementos novos no jogo facilitam muito a imersão (falarei disso já já).

O jogo tem dois tipos de missões, como sempre, as de Aldeia e as da Área de Encontro. Desta vez, as de Aldeia são ainda mais fáceis do que de costume, provavelmente para não assustar novatos no jogo. Já para veteranos, as missões da Área de Encontro oferecem legítima dificuldade, especialmente ao se jogar no modo multijogador. E correr com a história nas Missões de Aldeia permite acelerar o processo e já pular as missões da Área de Encontro diretamente para 4 estrelas, o que facilita demais caçar monstros maiores.

Coletar materiais pra melhorar suas armas e armaduras está ainda mais fácil, com Esferas de Armadura e outros materiais essenciais que não dependem de monstros sendo distribuídos como prêmio de missões opcionais que podem ser repetidas infinitamente.

O único porém é que a história não parece finalizada. A Capcom já anunciou a atualização 3.0 para o final de maio, que conterá “um novo final”, o que, pra mim, significa um final de verdade. Além disso, foram anunciados “algumas atualizações gratuitas”, o que significa que possivelmente a veremos estendida ainda mais.

E se a história serve como desculpa pra caçarmos mais monstros, vamos falar dos monstros em si, já que eles são as reais estrelas do show. São mais de 60 monstros, com novos sendo adicionados a cada atualização, incluindo 9 monstros novos. E preciso dizer que eles estão incríveis. Ver antigos favoritos como Rathian, Barioth e Nargacuga nos visuais do Switch está maravilhoso. A maioria manteve suas características, mas fomos surpreendidos por algumas mudanças em alguns deles; essas surpresas, deixarei pra vocês verem quando jogarem.

Os novos monstros são adições bastante decentes e dignas ao elenco existente. Foi bastante interessante descobrir os pontos fortes e fracos de cada um deles pela primeira vez, em vez de ter guias pra me ajudar a isso. Senti-me uma desbravadora, catalogando espécies pela primeira vez. E a introdução de cada monstro é de arrepiar.

A jogabilidade de Monster Hunter Rise é a melhor de toda a história da franquia. Há vários pontos nos quais se é possível pegar um Grande Cabinseto e ser arremessado para outro ponto do mapa, você pode percorrer grandes distâncias rapidamente no seu Amicão sem gastar Vigor. Além disso, os próprios cabinsetos, apesar de demorarem um pouquinho pra se acostumar, viram algo essencial depois.

A grande introdução do jogo é a habilidade de Montar Serpe. Depois de bater o suficiente num monstro, ou fazer monstros entrarem em batalha, você pode montá-los. Diferentemente das entradas anteriores, nas quais montar era usado para punir o monstro, desta vez, você pode se sentir um Power Ranger e usar seu monstro para atacar outros monstros grandes. É uma sensação muito boa e aumenta muito a quantidade de materiais que caem deles.

A movimentação deles está muito, muito, muito realista. Observar o monstro principal do jogo, Magnamalo, se movimentando fluidamente como um gatinho é um dos pontos altos, sem dúvida, mas vocês poderão observar que cada monstro se comporta exatamente como uma criatura viva se comportaria, inclusive parando para farejar, olhar para os lados e procurar por você. Monstros cansados são notoriamente cansados, mas não de forma caricata, como era em Generations (o último Monster Hunter que joguei), e sim natural. Algumas vezes, dá legítimo dó de bater no monstro babando de cansaço, tentando recuperar o fôlego, de tão realista que é.

Outra introdução sensacional é a forma como interagimos com a vida endêmica. Há buffs temporários e permanentes ao interagirmos com determinados animais, e alguns deles podem realmente ser a diferença entre voltar para a vila com um monstro gigante adormecido na carroça (eu gosto de jogar caçando com armadilhas, sem matar) e voltar carregado de maca por Amigatos.

Falando em Amicão e Amigato, a existência desses dois faz muita diferença no jogo. Plantas de cura e distrações cruciais também mudam a maré dos combates. E eles exploram os cenários muito maravilhosamente.

Falando em cenários, que cenários! Ouso dizer que esse jogo é tão bonito quanto (senão mais que) The Legend of Zelda: Breath of the Wild. A Capcom definitivamente levou o Switch ao limite nesse jogo. Ninguém pode dizer que o Switch não consegue competir graficamente com as outras plataformas, deixando claro que as produtoras é que têm preguiça de fazer ports decentes mesmo.

Voltando ao Monster Hunter Rise, mesmo à distância, os cenários são maravilhosos. Quando escrevemos sobre a demo, comentamos que os mapas pareciam vazios, mas que deveriam ser complementados na versão final, e foi o que vimos. A quantidade de elementos diferentes no fundo é incrível, e eu não experimentei nenhuma queda de framerate em nenhum momento. O jogo fluiu perfeitamente sem engasgos em todo o tempo que eu joguei offline, seja no dock, seja no modo portátil, sem diferenças de performance.

O som do jogo também está maravilhoso. Cada monstro soa diferente e realista, alguns rugidos chegam a dar medo, e todo o ambiente é vivo. Jogar com fones de ouvido é uma experiência imersiva fantástica, você se esquece de que há um mundo ao seu redor, de tão perfeito que é o som. Várias personagens têm vozes também, em três opções de idiomas, japonês, inglês e o idioma do jogo, e todas soam muito bem.

Se eu tiver que dizer um defeito do jogo, está na tradução. Enquanto os elementos principais do jogo foram maravilhosamente traduzidos, com trocadilhos perfeitos e sacadas brilhantes, vários elementos do menu e de questões menores parecem ter sido traduzidos automaticamente. “Reportar” uma missão concluída virou “Alertar”, por exemplo. É algo que pode ser corrigido em atualizações futuras, mas fora isso, o jogo está muito bom em português, inclusive todas as legendas dos poemas de introdução dos monstros também foram traduzidas em poemas, um trabalho excelente nessa parte.

Caçadores mais experientes querem mesmo é saber do online. E aqui, posso dizer que a experiência é tão boa quanto. Não tive tanto tempo de jogar online, mas em todas as oportunidades, as partidas foram encontradas rapidamente, seja com gente da minha lista, seja com pessoas desconhecidas. Tive uma leve queda de frame rate em alguns momentos quando estavam as quatro pessoas na tela contra o monstro e muitos elementos no fundo, mas foi muito melhor do que eu esperava que seria. Tive apenas duas desconexões em dezenas de partidas, e consegui voltar à ação rapidamente pelo lobby. O fato de podermos levar um Amigo, Amicão ou Amigato, junto conosco, em vez de termos de optar por irmos com a personagem principal ou o Amigato, faz com que seja ainda mais diversa a possibilidade de estratégias que podem ser criadas com seus amigos caçadores.

Enfim, na introdução, perguntei se Monster Hunter Rise cumpria o que prometia, e a resposta aqui é um sonoro sim. Se o único defeito que encontro no jogo é a história incompleta, e ela será acrescentada de DLCs gratuitas, não posso não dizer que Monster Hunter Rise é um jogo perfeito tanto para fãs da franquia quanto para fãs de RPGs de ação em geral. A fórmula clássica foi mantida, com adições suficientes para renová-la e torná-la única, fazendo deste um jogo necessário para todas as pessoas testarem ao menos uma vez.

Análise feita com cópia digital gentilmente cedida pela Capcom.

Monster Hunter Rise
Veredito
Monster Hunter Rise cumpre o que promete e é a experiência definitiva em Monster Hunter. Com elementos novos o bastante para se diferenciar de qualquer outro jogo da franquia, é necessário para qualquer fã de jogos de ação.
Prós
Gráficos e som maravilhosos
Jogabilidade extremamente fluida
Fator replay infinito
Monstros únicos e marcantes
O melhor Monster Hunter de todos os tempos
Contras
Alguns elementos mal traduzidos
10
Perfeito
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