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Análise – Puyo Puyo Tetris 2

Puyo Puyo e Tetris se enfrentam mais uma vez, em uma sequência completamente inesperada do jogo que teve sua estreia em 2014 e fez um grande sucesso entre fãs das duas franquias de puzzle.

Tendo jogado a primeira versão em meu Nintendo Switch há cerca de um ano e meio, sinceramente fico na dúvida se eu chamaria a continuação de “Puyo Puyo Tetris 2” ou de apenas uma versão definitiva.

Caso você não seja uma pessoa conhecedora destes dois nomes famosos, eu explico. Puyo Puyo é uma série bastante famosa e aclamada no Japão (particularmente prefiro ela à Tetris), em que precisamos unir quatro “gotinhas” da mesma cor para fazê-los desaparecer e liberar o espaço existente. Também é possível fazer combos arquitetados posicionando estrategicamente para que gotas de outras cores se encontrem assim que as combinadas desaparecem e fazem com que as outras caiam, criando assim um efeito que prejudica o adversário enviando blocos cinzas na sua tela.

Já Tetris é um jogo mundialmente conhecido, criado pelo russo Alexey Pajitnov, com a proposta de encaixar peças com formatos diferentes que podem ser rotacionadas. Assim que as peças formam uma linha completa, esta mesma linha é destruída trazendo a linha acima para baixo. Ficou confuso? Talvez eu não seja muito bom em explicações mesmo. Se este for o caso, pode se queixar nos comentários.

Adventure

Tá ali pra inglês ver

Não existe muito o que esperar em termos de história em um jogo de puzzle, e Puyo Puyo Tetris 2 faz jus à esta afirmação trazendo consigo um modo Adventure, em que um enredo envolvendo dois personagens é contado e usado mais como uma forma de introdução ao mundo do jogo. Seguindo os eventos do jogo anterior, os protagonistas perdem suas memórias e precisam entender o que está acontecendo nesse encontro de dois mundos (Puyo Puyo e Tetris) e derrotar a mais nova antagonista, Marle.

Por aqui somos apresentados a todos os modos disponíveis ao longo das fases existentes no mapa navegável, servindo como um grande tutorial ao jogador e uma espécie de visual novel bastante superficial e sem muito diálogo – felizmente, porque não estou aqui pra isso. Mas não só isso, como também é possível liberar os personagens que possuem “habilidades” próprias para serem usadas nas lutas quase mortais de Puyo Puyo e Tetris.

Puyo Puyo vs Tetris

Aquilo que todo mundo já gostava

Os vários modos do primeiro jogo continuam na sequência, como também a opção de Endurance (um “quem aguenta mais”).

  • Versus: por padrão, o modo clássico para até 4 pessoas, cada qual escolhendo seu estilo preferido. Mas preciso alertar que Puyo Puyo é muito “roubado” jogando contra Tetris, porque qualquer combo mixuruca lança uma loucura de peças cinzas para tela de quem escolheu o jogo russo. Um proposital desbalanceamento? Dependendo de qual lado escolher, sua opinião mudará.

  • Skill Battle: chegando como novidade nesta sequência, aqui as coisas funcionam como uma espécie de RPG. Cada lado escolhe um time, de personagens equipados com habilidades que podem prejudicar o inimigo com ataques que precisam de recarga após o uso. Perde aquele que tem sua saúde reduzida à zero primeiro. Não é um Final Fantasy VII com ATB, mas só consegui pensar nessa referência.

  • Big Bang: jogo com padrões pré-estabelecidos para serem resolvidos na base da velocidade e dilacerar o oponente, em que tudo termina num grande buraco-negro sugando as peças. Não é que o nome faz sentido?

  • Fusion: o modo que mistura Puyo Puyo e Tetris, com mecânicas totalmente diferenciadas que trazem a jogabilidade dos dois mundos, mas de uma forma individual que não implica no outro. É o mais complicado de explicar, e até mesmo de compreender, porque é uma completa loucura o que se torna a partida à medida que as coisas vão ficando mais complexas.

  • Party: o mais intenso disponível. Em todo o tempo surgem itens que modificam a jogabilidade, seja em termos de visibilidade tornando tudo em uma grande escuridão, aumento extremo de velocidade, impossibilidade de girar peças, etc. Você se considera alguém bom nesse jogo? Neste modo, os meninos são separados dos homens, e as garotinhas das mulheres.

  • Swap: duas “mesas” que intercalam em toda a partida. É necessário gerenciar o estilo Puyo Puyo e Tetris, continuando do exato ponto onde você parou na hora da troca. O primeiro que perder em qualquer uma das mesas, vai pra casa chorar.

  • Challenge: o modo desafios, centralizados em tempo, pontuação máxima, sobrevivência e velocidade gradual.

Partidas online

Um online para quatro dominar

Fora estes modos presentes, também há a opção de jogar contra pessoas de todo o mundo através do multiplayer online, existente no menu principal. A novidade é que agora os jogadores não são obrigados a misturar as duas modalidades, mas escolher aquela que mais lhe agrada para competir.

Esta opção online também segue a mesma linha do Puyo Puyo Tetris anterior, e infelizmente não tiveram o bom senso de possibilitar que mais de uma pessoa jogue na internet em um mesmo console, a combinação de tela dividida e online. Fico triste com isso por ser algo cada vez mais presente em vários games com proposta de diversão casual para mais de um jogador, como Rocket League, Mario Kart 8 Deluxe, Gears 5 e mais alguns outros que não me lembro agora mas que entendem do assunto quando se trata de “jogar com amigos e a namoradinha” (no meu caso, esposa).

O online também não é perfeito, e tive algumas desconexões bem chatas enquanto me divertia com um amigo. Fora que não é oferecida uma opção de continuar a partida ou de reconectar quando isso acontece, mas simplesmente todos são expulsos da partida e enviados de volta à pesquisa de salas. Decepcionante essa experiência de usuário mal pensada que não prevê problemas técnicos. Ao menos o online concede algum dinheiro para gastar na compra de itens na lojinha do jogo, então matamos dois coelhos com uma paulada só. Não tem amigos ou gosta de jogar sozinho? Sem problemas, pode jogar o Endless contido na opção Solo do menu, em que você compete apenas contra si mesmo até dizer chega.

Puyo Puyo

É pra acabar mesmo

Vou mandar a real pra finalizar. Você tem o Puyo Puyo Tetris original? Não vale a pena adquirir este segundo, já que as novidades são esdrúxulas e não justificam o valor cobrado da sequência (40 dólares na gringa). Por isso falei no início que fico em dúvida se realmente deveriam chamar de Puyo Puyo Tetris 2, sendo que me pareceu mais com uma versão definitiva com alguns pedidos atendidos da comunidade. Sabe a melhor parte disso tudo? O antecessor caiu de preço (agora 19 dólares).

Mas veja bem, você pode se arriscar comprando a mídia física que foi lançada recentemente, para se divertir por algum tempo e depois revender. Ou então ficar feliz que o jogo veio para a Nintendo eShop Brasileira para adquirir digitalmente, mas triste porque todos os seus amigos precisarão comprá-lo na mesma plataforma se quiserem jogar com você. Sim, Puyo Puyo Tetris 2 chegou ao Steam (PC), PS4 e Xbox One, mas sem opção de crossplay. Sobre a nota abaixo, entenda que não é sobre a qualidade do jogo em si, mas sim em relação à superficialidade de conteúdo novo existente aqui.

Jogo fornecido para análise pela SEGA.

65%
É, tá bom

Poucas novidades

Puyo Puyo Tetris 2 mantém a qualidade do antecessor, mas peca em não trazer tantas mudanças para justificar o valor cobrado.

  • Design
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