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Análise: Shantae and the Seven Sirens

Dançando num paraíso tropical com a melhor meia-gênia dos games!

A meia-gênia mais simpática do universo está de volta em Shantae and the Seven Sirens. E o jogo é uma respeitável adição à coleção de aventuras de Shantae. Unindo tudo o que a franquia já teve de melhor, esse jogo vai agradar tanto a quem nunca jogou um jogo dela quanto para quem é fã desde o começo.

Tudo começa quando Shantae finalmente vai tirar férias, e vai com sua família para uma ilha tropical participar de um festival de meias-gênias. Mas como isto é um jogo, logo todas as outras são sequestradas, e Shantae, convenientemente, é deixada para trás. Munida de seu poderoso cabelo chicoteador e vestindo seu bedlah vermelho, seu objetivo é resgatar uma a uma cada uma das suas novas amigas, enquanto luta contra cada uma das sete sereias do título.

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Começando pela jogabilidade, Shantae volta ao estilo plataforma clássico que define o gênero Metroidvania. Neste caso, em vez de fases separadas, como na entrada anterior da franquia, Half Genie Hero, as três cidades e todas as áreas do jogo são interconectadas e parte de um gigantesco mapa único, com suas diferentes seções indicadas por cores diferentes e com partes que vão ficando disponíveis conforme você desbloqueia novos poderes.

Os poderes, aliás, que ficaram bem melhor integrados e práticos, uma ótima melhoria de qualidade de vida. Em vez de você ter que parar seu progresso para fazer uma dancinha e virar um bicho diferente, basta um toque rápido no botão para virar um lagartinho e zapear de uma parede à outra, escalando como uma lagartixa (uma evolução do macaquinho clássico da Shantae), por exemplo. Cada uma das suas amigas meias-gênias consegue compartilhar com você seus poderes através de Fusion Coins, que você encontra cumprindo missões típicas desse tipo de jogo.

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Mas se você achou que isso significa que nossa dançarina do ventre favorita não dança mais, achou errado! Para revelar segredos das fases, dar vida a flores mortas e outros poderes maiores, basta dançar e escolher a dança escolhida, que os efeitos acontecem. Tendo todos os poderes acessíveis com o toque de um a dois botões apenas, você passa muito menos tempo escolhendo o poder que vai usar e mais tempo usando-o.

Além disso, Shantae and the Seven Sirens traz uma novidade: cartões equipáveis. Cada inimigo tem uma chance de deixar cair um cartão, e cada tipo de cartão oferece dá um efeito diferente, como aumentar o poder de cura das refeições, fazer inimigos derrubarem mais tônicos de magia ou ficar mais rápido para escalar paredes. Você pode mudar seus cartões equipados o tempo todo, e é legal mesclar e alternar para ver o que se encaixa melhor com você e com o momento do jogo.

O nível de dificuldade do jogo depende de você. É extremamente fácil acumular gemas coloridas para comprar poderes e itens. Você pode ter o bastante para ter todos os upgrades no máximo ainda na primeira hora de jogo. E coraçõezinhos espalhados pela ilha podem ser unidos para criar mais vida para sua Shantae. Na prática, enquanto você tiver itens e prestar atenção na barra de magia e de vida, o jogo é um passeio no parque. Por outro lado, se você optar por querer uma experiência mais difícil, pode só não comprar os upgrades. Ou comprá-los de acordo com seu nível de habilidade e com o quão difícil é para você passar de uma determinada parte. Gosto desse nível de dificuldade customizável sem a necessidade de alterar nada nas configurações do jogo em si, mas para muitas pessoas, o jogo será considerado fácil demais. O que para mim, não é um problema, mas pode incomodar algumes.

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A história não é das melhores, mas é interessante o bastante para você não questionar o fato de ir e voltar várias vezes pelo mapa, além de não começar num festival e terminar tendo que salvar o universo da destruição. Como citado acima, e como todo Metroidvania, cada novo poder te dá acesso a novos lugares, e itens que estavam inacessíveis antes agora podem ser coletados. Isso pode incomodar quem não gosta de backtracking, mas quem não gosta de backtracking não gosta desse estilo de jogo, em primeiro lugar. Eu gostei muito de fazer isso, e talvez por isso tenha demorado muito mais do que deveria para terminar o jogo da primeira vez, porque era realmente divertido testar cada poder novo em todos os lugares do mapa.

O único problema com o mapa é que você tem muitos itens interessantes para coletar, mas não há nenhuma forma de marcá-los no mapa para voltar depois. Isso pode te fazer ficar perdido em vários momentos, e seria uma melhoria bem-vinda. Apesar disso, se você souber aonde quer ir, há 8 pontos de teletransporte no jogo, que você pode usar para se mover rapidamente de um lado a outro. Do contrário, seria extremamente cansativo.

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E falando em cansativo, eis o ponto mais chato do jogo: as telas de carregamento. Quando você alterna entre pontos específicos do mapa, a tela de carregamento demora de 8 a 10 segundos para carregar. Pode não parecer muito, mas conforme você avança no jogo, começa a incomodar, especialmente quando você precisa alternar entre duas áreas diferentes em pouco tempo. Houve momentos em que em um minuto, eu passava por três áreas diferentes, e metade do tempo foi perdido em carregamento. Não sei como eles poderiam ter feito para isso melhorar, porque há uns poucos momentos com muita coisa acontecendo na tela em que o jogo tem uma leve queda de framerate, pouco perceptível no modo portátil, mas aparente na TV. Não é muito, não prejudica a experiência de jogo, mas indica que o jogo já usa bastante da memória do console, então não sei se eles conseguiriam reduzir o tempo das telas de carregamento ou removê-las completamente.

Além do mapa padrão, há cavernas e dungeons específicas para coletar itens e enfrentar as Sereias. Quero destacar a criatividade na montagem dessas cavernas e dungeons, todas elas têm algumas características diferentes, e algumas são mais memoráveis que outras. E todas elas trazem puzzles no estilo de Zelda, que são fáceis depois que você entende o que fazer.

Já as bosses do jogo são decepcionantes. Apesar das ótimas cutscenes (mais sobre isso abaixo) e do design único de cada uma delas, você pode só ativar suas cimitarras girantes e ficar dando chicotada com o cabelo em basicamente todas elas. Há duas que exigem um pouco mais de raciocínio na hora de enfrentar, mas a maioria delas não é interessante. Há inimigos normais das fases que te darão mais trabalho que várias das sereias.

Algumas personagens clássicas da franquia retornam, começando por Risky Boots, a pirata arqui-inimiga de Shantae, e Squid Baron, quebrando a quarta parede tantas vezes que ameaça trincar a tela do Switch. Há algumas aparições surpresas que não vou falar pra não estragar, mas quem é fã vai gostar.

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A música do jogo não é tão marcante quanto as entradas anteriores, e isso pode se dar ao fato de terem trocado o compositor. Talvez ele não tenha querido arriscar muito. Não é nada ruim, é bem agradável de se ouvir, só não tem nenhuma música que vai entrar no meu top de músicas de jogos. Por outro lado, a dublagem de voz é bem legal. Não está presente em todas as cenas, e lembra um pouco mais o estilo de Fire Emblem Awakening, no qual só as falas mais importantes, ou o contexto de algumas, que são dubladas, mas quando a dublagem vem, ela é boa.

E falando em boa, precisamos falar da apresentação visual. Todas as interações com as sereias, além de vários outros momentos importantes do jogo, foram animados pelo Studio Trigger, estúdio responsável por algumas ótimas obras do anime, como Kill la Kill e, mais recentemente, Little Witch Academia. E Shantae e sus amigues estão incríveis na forma animada.

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Além disso, os cenários de fundo deixaram de ser aquele 3D estranho de Half Genie Hero e voltou a ser um fundo em 2D, que é bem colorido, vibrante e dá muito bem o ar tropical da ilha e com os sprites atualizados do jogo. Tanto Shantae quanto a maior parte dos inimigos ainda são, aparentemente, os mesmos modelos do jogo anterior, com apenas uma leve melhoria gráfica, que só fica perceptível na TV. No modo portátil, parecem iguais, e as personagens novas foram desenhadas no mesmo estilo.

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Seguindo a tradição da franquia, Shantae and the Seven Sirens tem 5 finais diferentes, baseados no tempo que você demora para terminar o jogo e na porcentagem de completude dos itens. Além disso, você tem um modo de jogo New Game Plus, no qual a roupa dela fica mais bonita, ela tem mais magia à disposição (no jogo normal, a magia acaba bem rápido até você ter todos os upgrades), mas a defesa dela diminui, recebendo mais dano dos inimigos (o que, se você estiver sempre cheio de comida, não afeta em nada, na prática).

Shantae and the Seven Sirens é um bom jogo para quem procura algumas horinhas de diversão no estilo Metroidvania. Ele retorna às origens da franquia, ao mesmo tempo em que apresenta melhorias de qualidade de vida que facilitam a jogabilidade. Apesar de talvez ser fácil demais, e das telas de carregamento que incomodam, isso não tira muito da ótima experiência de jogo, e todo mundo que gosta da franquia e/ou do estilo deveria muito passar umas horas com Shantae nesse paraíso tropical.

80%
Vale a pena

Shantae and the Seven Sirens é uma adição valiosa a quem gosta do estilo Metroidvania e também a fãs da franquia. A jogabilidade melhorada, somada ao retorno às raízes e à personalidade cativante da Shantae, fazem com que as horas jogando sejam agradáveis.

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