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Análise: The Alliance Alive

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The Alliance Alive é um dos melhores RPGs do ano e do 3DS e, infelizmente, passou despercebido pelo público geral. O conjunto da obra traz um pacote completo com uma história simples e intrigante, um sistema de batalha estratégico e que dá espaço à criatividade do jogador, personagens carismáticos, inteligentes e que interagem bem entre si, um grande mundo que dá gosto de explorar por conter inúmeros segredos, e uma atenção ao detalhe que o torna um jogo especial.

A história se passa em mundo onde os seres humanos perderam uma guerra contra os Daemons há muito tempo e, consequentemente, vivem sob seu domínio, divididos em diferentes reinos que permanecem separados e sem contato. Inicialmente, a trama é desenvolvida pela perspectiva de diferentes grupos que possuem objetivos e crenças próprias para, eventualmente, se unificarem em um contexto no qual todos passam a trabalhar juntos. Galil e Azura são dois integrantes de uma força rebelde que se opõe aos Daemons e seus subordinados no reino da chuva. A pesquisadora Tiggy e a Daemon Vivian se unem para investigar um fenômeno anormal denominado como corrente negra. Gene e Rachel trabalham para uma guilda que favorece os Daemons, mesmo à custa de outros seres humanos. São vários personagens e diferentes motivações e, felizmente, a história evolui de maneira coerente para que todos passem a cooperar.

A jornada irá cruzar os diferentes reinos e o jogador terá a oportunidade de explorar um mundo verdadeiramente vasto. Existem dezenas de locais opcionais, desde lojas secretas, cavernas escondidas, florestas de espíritos e muito mais. Eventualmente, será possível recrutar pessoas e criaturas para uma aliança e encontrá-los nos locais mais variados traz razão à exploração, além do simples dinheiro e tesouro. Algumas escolhas do jogador também irão afetar quem poderá ser recrutado ou quais recompensas poderão ser adquiridas. Às vezes é necessário evitar um confronto direto, em outros momentos é necessário conversar como um personagem específico ou até mesmo pagar para recrutar os serviços de alguns membros. Essa variedade também é presente na trama principal, sendo que o jogo sempre procura surpreender de alguma forma, seja introduzindo uma nova mecânica ou alterando uma já existente.

O sistema de batalha é por turnos e a evolução dos personagens é feita de maneira indireta, sem níveis, com os parâmetros aumentando aleatoriamente após uma batalha, habilidades sendo aprendidas durante a luta e com os equipamentos que você conseguir encontrar ou forjar. O que torna o sistema de batalha versátil é que cada personagem pode equipar até duas armas, além de dois acessórios, e estes dão acesso a habilidades e comandos especiais. Por exemplo, um personagem pode utilizar de uma espada normal em conjunto com uma lança, aprender habilidades com ambas as armas e ser utilizado como um personagem agressivo e com bastante capacidade de causar dano. Alguns acessórios permitem usar itens no meio do combate ou permitem o uso de magias dependendo da raça do personagem que equipa o item.

O sistema de batalha ainda é complementado por uma série de mecânicas menores que tornam toda a experiência mais estratégica e fazem com que o jogador dê atenção ao construir sua equipe. É possível utilizar pontos de talento para obter habilidades de suporte. O jogador tem a liberdade de desenhar seu próprio conjunto de posicionamentos que afetam se um personagem assume uma posição ofensiva, defensiva ou de suporte. A vida é regenerada após a maioria das batalhas e seus pontos de habilidade regeneram um pouco por turno, fazendo com que não seja possível apenas desferir os golpes mais poderosos sem consequência. Existem efeitos de suporte dependendo do local onde estiver e muito mais. Quanto mais batalhar, mais opções vão sendo liberadas e, felizmente, existe a opção de acelerar as batalhas e não consumir um tempo excessivo do jogador. O sistema de batalha é bem completo e os desenvolvedores fizeram um excelente serviço em colocar situações para que essa complexidade seja gradativamente explorada.

Ao contrário de muitos títulos modernos, The Alliance Alive está repleto de detalhes e segredos que realmente demonstram o zelo que os produtores tiveram. NPCs reagem de forma diferente aos personagens em sua equipe, alguns personagens jogáveis inclusive são secretos, cabendo ao jogador encontrar a forma de como recrutá-los. Encontrar uma localidade escondida pode trazer ninhos de monstros ou sidequests completamente inesperadas e que trazem consequências para personagens em outras cidades distantes. Essencialmente, tudo que é colocado no jogo tem um propósito e praticamente qualquer ação por parte do jogador irá acarretar em algum resultado significante.

Jogo analisado com código fornecido pela Atlus.

95%
Incrível

The Alliance Alive é um dos melhores exemplos que alia uma plataforma moderna ao design dos melhores RPGs desde a era do Super Nintendo. Com uma história interessante, personagens carismáticos e um sistema de batalha profundo e que requer estratégia, The Alliance Alive é uma das maiores surpresas do 3DS e, possivelmente, um dos melhores RPGs no ano.

  • Final

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2 Comentários em "Análise: The Alliance Alive"

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Lamartine
SmashBoss

tai um jogo que merecia um port para o Switch.

cvertigem
Amiibo

3DS assim como o Wii tem várias “hidden gems”, jogos muito bons que passaram despercebidos

Particularmente eu gosto muito do Puzzle & Dragons Z,
um jogo que mistura RPG Dungeon Crawler com Puzzle Match-3
pra muitos pode soar trash, mas eu curti demais