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Análise : Tony Hawk’s™ Pro Skater™ 1+2

Linda manobra!

Nós do SWITCH BRASIL repudiamos qualquer tipo de abuso ou violência praticados pelo ambiente tóxico de trabalho reportado pelos funcionários da Activision Blizzard.

O intuito da análise abaixo é apenas informar os potenciais consumidores sobre a opinião do redator em relação à proposta do jogo comercializado pela companhia. JAMAIS APOIAREMOS SUAS ATITUDES perante seus trabalhadores.

Também enfatizamos que caso você passe por qualquer tipo de problemas envolvendo abusos de qualquer natureza, DENUNCIE imediatamente para o Disque 100 ou Ligue 181.

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Eu fui uma criança que respirou a segunda metade dos anos 90 em todos os seus aromas. Roupas largas, hip-hop, MTV e, por fim, a febre dos esportes radicais protagonizada pelo skate. Mas foi só em 99, finalzinho do século, que o jogo mais popular do esporte foi lançado: Tony Hawk’s Pro Skater.

Meu primeiro contato com a série foi no Dreamcast e confesso que me apaixonei totalmente. O compromisso 100% arcade em buscar a maior pontuação possível, conseguir executar uma manobra nova e usar o máximo possível do tempo, até mesmo no modo multiplayer, era um paralelo excelente ao próprio esporte e uma fórmula absurdamente bem executada.

Mas a série infelizmente não conseguiu manter sua relevância ao longo dos anos. A sétima geração e tentativas frustradas de inovação nos jogos de skate foram amargas para a franquia, que por sua vez acabou caindo no limbo e só voltando ano passado, com o lançamento de Tony Hawk’s™ Pro Skater™ 1+2 HD. Será que esse remake é capaz de trazer de volta a magia da série?

Uma manobra confiável

Para os que não conhecem, o núcleo de Tony Hawk’s Pro Skater consiste em soltar o skatista em fases abertas, cheias de objetos que podem ser usados para realizar uma manobra após a outra. A dificuldade fica não somente em realizar a melhor e mais inédita manobra, como também encaixa-la com outra para realizar um combo.

Isso por si só ja esboça a receita para uma jogabilidade viciante, mas são nos controles precisos e na física absurdamente confiável que a série THPS realmente pescou os jogadores, do mais iniciante ao mais assíduo. Estes são alguns dos poucos jogos que controlar um personagem parece um extensão do próprio jogador e tudo isso, para minha surpresa, também pode ser dito sobre este remake.

Mas engana-se quem acha que THPS 1+2 é apenas uma coletânea do primeiro e segundo jogo da franquia com resolução maior. Estamos lidando com um remake completo, onde diversas mecânicas introduzidas em jogos futuros foram trazidas de volta e até melhoradas. Não é possível joga-los 1:1 com os originais, mas isso, eu garanto, é uma ótima notícia.

Primeiro, não espere um modo estória como alguns dos jogos mais recentes da série. Aqui temos uma campanha estilo arcade com 19 (!!) fases extensas, muito bem projetadas e abarrotadas de objetivos. Nas fases mais simples o jogo te pede para realizar certas manobras, encontrar itens específicos e atingir um certo placar, mas também pode ser necessário interagir com aspectos do cenário de forma única. O sentimento de um jogo arcade brilha em todos os momentos e é impossível não querer completar a listinha de tarefas em todas as fases.

Vale lembrar que não é possível avançar para a próxima fase na campanha sem terminar uma certa quantidade de objetivos na fase anterior, mas é possível se divertir em qualquer fase desde o início do jogo sem se preocupar com os desafios. Porém, não se preocupe muito com dificuldade: O jogo possui diversos mecanismos de acessibilidade, incluindo até mesmo trapaças tão comuns na década de 90. Além disso, a graça do jogo é realmente entrar em uma das fases e realizar manobras sem sequer ver o tempo passar, coisa que THPS 1+2 proporciona com muito êxito.

Queria aproveitar para falar um pouco sobre estas fases e dizer que são exemplos fantásticos de level design muito bem executado. Cada uma foi pensada como um pequeno (ou grande, em alguns casos) sandbox magistralmente projetado para que o jogador encaixe uma manobra com a outra de forma fácil, mas ao mesmo tempo oferecendo múltiplas possibilidades. Cada localidade possui uma estrutra totalmente diferente. Algumas são mais verticais, outras mais horizontais e tem até os exemplos “morro abaixo”, que são lineares e funcionam em looping. Além disso, encontrar os segredos escondidos em cada uma é uma atividade muito recompensadora e viciante.

Transição Conturbada

Atenção: Esta seção da análise leva em consideração o jogo atualizado para sua última versão. No lançamento, THPS possuía uma performance e visuais menos estáveis que os apresentados aqui. Como seguramos esta análise, não achamos que faz sentido analisa-lo tal qual seu lançamento pois praticamente ninguém o jogará assim hoje em dia.

Vamos encarar um fato aqui: Todo jogo que requer controles precisos funciona melhor com uma taxa de quadros maior, especialmente se tal taxa de quadros segue a atualização interna da lógica do jogo. Dito isso, os visuais de THPS 1+2 no Switch atualizam a 30 quadros por segundo. Isso não é uma boa notícia, especialmente quando os jogos da série em 2002 ja atualizavam ao dobro que isso, fato que a própria versão deste jogo no PS4 e Xbox One também o faz. Para tornar a situação ainda pior,  American Sk8land, no Nintendo DS, também atualiza ao dobro da velocidade que Pro Skater 1+2 no Switch. Sim, um jogo de DS.

Pelo menos ainda temos a lógica do jogo respondendo aos controles entre cada quadro apresentado na tela, resultando em uma resposta de controle tão rápida quanto caso a performance fosse comparável com as versões das outras plataformas. Mesmo que isso seja algo bom, e é, não muda o fato de que o jogador não terá um retorno na tela tão rápido quanto suas ações. Isso resulta num jogo mais “pesado”, pela falta de uma palavra melhor. Menos responsivo do que poderia ser. 

O consolo fica pelo fato de que os jogos originais, de PS1, rodavam tal qual este no Switch. É um consolo meio ruim, visto que não deveríamos usar esse passado longíquo da série como parâmetro para 21 anos no futuro, mas pelo menos é um indicativo que as coisas funcionam, mesmo que não da melhor forma possível. De forma geral, eu não acho que a performance reduzida ultrapassa o nível de realmente ser algo maléfico para o jogador. Sim, ter uma taxa de quadros tornaria o jogo mais preciso, mas da forma que está dá pra jogar tranquilo.

O mais frustrante é que o downgrade não para por aí. As texturas estão em baixa resolução, as sombras estão borradas e os reflexos das superfícies pouco definidos. Os modelos dos personagens são legais, mas as texturas fracas e a pouca expressividade dos rostos que reagem mal à iluminação, gerando uma situações meio filme de terror, acaba tirando o brilho. Ao menos a resolução é boa, embora ele caia visivelmente no multiplayer local. Tudo isso ao menos resulta numa taxa de quadros estável, então o sacrifício valeu a pena, mas eu acho que foi muito levando em consideração o alvo de performance. 

2021° de muito conteúdo

O que mais me agradou foi como o pessoal da Vicarious Visions abarrotou o jogo de conteúdo. Além dos vários skatistas famosos, temos também como criar nosso próprio e customizar aparência, roupas, detalhes do skate e até manobras. Além disso, é possível editar os atributos de ambas categorias de personagens, inclusive de forma retroativa, podendo customiza-lo como quiser. Tudo isso é comprado utilizando moeda obtida no próprio jogo e de forma justa, não há sequer como compra-las com dinheiro real.

Além disso, como de praxe, existe uma ferramenta robusta de criação de fases para soltar a criatividade. A princípio eu não esperava que fosse sair nada complexo dela, mas foi então que eu descobri que é possível compartilhar fases com outras pessoas e que a própria Vicarious adicionou algumas pistas feitas usando tal ferramenta e fiquei totalmente impressionado com a qualidade. É quase como se eu tivesse conteúdo infinito no jogo. Isso me motivou a ir além e até conseguir criar algumas legais. A interface é fácil de usar e há muitas opções de objetos.

Outro ponto positivo fica pela incrível trilha sonora recheada de rock, punk rock, hip-hop, rap e mais. Algumas músicas retornam dos jogos originais, mas há também várias inéditas, sejam elas antigas ou novas. É o fundo perfeito para jogos do tipo e eleva, e muito, a empolgação enquanto realiza-se manobras. E essas manobras podem ser realizadas com amigos online ou local, seja tela dividida ou por conexão sem fio.

Quase lá

Eu confesso que me surpreendi com Tony Hawk’s™ Pro Skater™ 1+2. Esperava um remake feito às pressas para servir de palco para vender conteúdo extra por dinheiro real, mas o que recebi foi um jogo excelente em quase todos os sentidos. Um jogo feito com amor e mirando as (boas) experiências que tivemos com a franquia. Tudo é tão gostoso de jogar e o fator replay é altíssimo. É um pacote vendido a preço cheio, mas completo. Vale cada centavo.

Este jogo foi gentilmente cedido pela Activision para análise. Somos agradecidos.
Análise : Tony Hawk’s™ Pro Skater™ 1+2
Veredito
O amor da Vicarious Vision por esta série e pela cultura de skate é evidente do começo ao fim de cada tour de Tony Hawk's™ Pro Staker™ 1+2. Controles precisos, jogabilidade viciante, conteúdo de sobra e fases muito bem projetadas são complementadas por uma trilha sonora incrível. Porém, infelizmente no Switch o jogo não alcança o alvo de performance que a série já mira há quase duas décadas.
Prós
Controles precisos
Jogabilidade viciante
Fases muito bem planejadas
Conteúdo de sobra
Trilha sonora excelente
Nada de microtransações
Contras
Visualmente pouco atraente
Performance aquém do esperado
9
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