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Análise – Witch Spring 3 Re: Fine – The Story of Eirudy

Venha se encantar pelas deidades bruxinhas você também.

Witch Spring 3 Re: Fine – The Story of Eirudy traz para o Nintendo Switch uma das franquias mais simpáticas da história dos jogos mobile. Existente desde 2015, ela chega a um console pela primeira vez, e a gente conta para vocês como ficou.

Witch Spring 3 Re: Fine - The Story of Eirudy

Witch Spring é uma franquia coreana que já conta com quatro jogos, com a história planejada para ser completa em seis. Desenvolvida pela Kiwi Walks, os primeiros três jogos se passam mais ou menos ao mesmo tempo, e levando em conta que Witch Spring 3 é o mais avançado dos três, faz sentido ter sido ele o escolhido para ser trazido para o console.

Já estão planejados para o Switch um Spin-Off com a Eirudy, a personagem principal de Witch Spring 3, chamado Shadow of Witch Marionette, que deve chegar este ano no oriente, eWitch Spring R, o Remake do primeiro jogo, com lançamento previsto para 2022, o que nos faz crer que os outros jogos eventualmente encontrarão o caminho do Switch, se as vendas forem boas.

Witch Spring 3 foi originalmente lançado para celulares em 2017, e a versão oriental do remaster veio para o Nintendo Switch em dezembro de 2020. Oito meses depois, conhecemos a versão ocidental do jogo.

História

Witch Spring 3 Re: Fine – The Story of Eirudy é, como o próprio nome diz, a história de Eirudy. Eirudy é uma deidade, que hoje é chamada de bruxa, que vive sozinha numa cabana, escondida da humanidade e da caça às bruxas sendo realizada pelo Papa e pelo Lorde local. Apesar de ser o terceiro jogo, você não precisa ter jogado os dois anteriores, já que as histórias acontecem ao mesmo tempo, e apenas no final, há referências aos outros jogos, mas sem qualquer spoiler.

Cada deidade/bruxa tem uma especialidade, e a de Eirudy é criar e animar bonecas, e usá-las para ajudar em suas batalhas. Ela vive sua vida em treinar em casa e coletar materiais na floresta próxima, até o dia em que encontra um humano, Adrian, filho do Lorde, e a gentileza dele faz com que ela tenha esperança na humanidade.

Suas decisões aqui importam em alguns pontos específicos, e o jogo tem três destinos possíveis: O Caminho da Luz, o Caminho das Trevas e o Caminho Verdadeiro. Se você quiser fazer mais de um caminho, sugiro começar pelo das Trevas, que é mais curto, cerca de 8 horas a menos que os outros caminhos e sem pós-jogo. Depois de tentar confiar na humanidade, Eirudy é traída, e a forma como você, jogador, reage a isso, determina qual caminho ela vai seguir.

Tudo o que ela faz é para conseguir chegar ao Adrian, o que pode parecer uma premissa ruim, mas a forma como isso é apresentado faz sentido. Ele é o elo que faz com que Eirudy tenha esperança de um mundo sem caça às bruxas, e ela quer ser forte o bastante para ajudá-lo. No caminho, você entra em contato com outras deidades/bruxas, conhece uma gama interessante de personagens e desbrava momentos emocionantes e também alguns de conflito emocional. A história de Witch Spring 3 é carregada de emoções, e mesmo o pós-jogo meio desconexo ainda traz alguns momentos de lágrimas nos olhos.

Não é nada de novo, mas acrescenta informações e corpo ao lore do mundo que foi construído na primeira trilogia do jogo, que vão culminar no quarto, que é quando a história finalmente avança.

Jogabilidade

Sendo um jogo originalmente de celular, eu esperava uma jogabilidade complicada de ser adaptada ao Switch, e fui surpreendida positivamente. Witch Spring 3 Re: Fine foi completamente projetado para o Nintendo Switch, e isso fica bem claro nos controles. Não há suporte aos toques, apesar de no jogo original, haver, mas ficou muito bom aqui, e os controles são bem suaves e fáceis na maior parte do tempo.

Você luta no mundo lá fora para coletar itens. Com esses itens, você cozinha itens e habilidades novas, e isso te dá dias para treinar. Treinando, você melhora suas habilidades e libera novas receitas para cozinhar, e você precisa ir coletar novos itens no mundo lá fora. Esse ciclo é o que rege sua evolução em explorar novas áreas, conhecer novas personagens, liberar novos momentos e por aí vai. O jogo parece uma certa repetição, até que você atinja o ponto de avançar a história, e então, tudo segue num ritmo muito mais rápido.

O jogo mistura as mecânicas de item e equipamento dos dois primeiros jogos de forma bastante positiva, já que você pode usar equipamentos diversos que vão ter efeitos diferentes. É um JRPG clássico de turnos, mas com uma mecânica de batalha surpreendentemente mais profunda do que parece. Você pode ter até três bonecas diferentes em ação, e isso muda muito de cada oponente: você vai aumentar sua defesa, seus stats e recuperar sua vida, ou partir para a ofensiva, com três bonecos que atacam seu oponente? Ou ainda, um meio-termo entre os dois estilos. A combinação usada de bonecas pode ser o fator decisivo contra alguns dos chefes mais difíceis do jogo.

Você pode optar por jogar investindo em magia ou em ataque físico ou em ataque mágico, e suas tendências e escolhas de armas fazem com que você receba um bônus de até 18% na característica principal que você mais usa, tornando o fator replay do jogo maior, já que cada vez que jogar, pode optar por um estilo diferente, além da já citada variação de caminhos.

Uma coisa importante é que é possível deixar o jogo fácil demais com excesso de treinamento, o famoso “grinding”, como qualquer RPG. Depois de um certo ponto, sua Eirudy se torna tão forte que você pode circular entre os monstros mais fortes do jogo e “farmar” seus órgãos para fazer um item que aumenta 20% em todas as suas estatísticas; mesmo assim, mesmo com minha Eirudy vencendo tranquilamente todos os inimigos do jogo normal, há um inimigo no pós-jogo que quase matou, então, lembre-se de que ela é uma deidade por uma razão.

Um detalhe fofo em Witch Spring 3 Re: Fine é que a tela de abertura vai mudando, acrescentando personagens e músicas conforme você as desbloqueia na história. Legal também é que a tela final do jogo vai mudar de acordo com várias decisões tomadas na aventura, o que vai te fazer ter vontade de jogar de novo para preencher as sombras que ficaram.

Não há nada de revolucionário na jogabilidade, mas tudo ao que o jogo se propõe, faz bem feito. À exceção das escadas. Subir algumas das escadas mais estreitas de Derkarr (o continente onde o jogo se passa) é um teste de paciência maior do que derrotar o mais antigo dos dragões. Outro ponto negativo é que algumas conversas podem ser puladas, outras não, e é um saco entrar acidentalmente numa conversa de 8 balões que você não pode pular. O mesmo vale para alguns acessos, que precisam de confirmação, e outros não, fazendo com que você saia de uma área em um segundo, mas demore quase meio minuto para conseguir voltar.

Por outro lado, a movimentação pelo mapa é bem feita, com vários pontos de teletransporte espalhados pelo continente, tendo sua casa como hub central que você pode acessar a qualquer momento. Seria perfeito se o mapa fosse mais fácil de ler, porém. Não sei se por opção estética ou por erro de localização, mas a ordem dos lugares não é alfabética nem geográfica, então, você vai ter que decorar qual fonte fica perto de qual cidade.

Parte Técnica

Visualmente lindo, Witch Spring 3 Re: Fine passou por uma remasterização completa de todos os gráficos, ficando ainda mais bonito. As artes em estilo aquarelado alternando com cenas típicas de animes fazem o jogo todo ser um colírio para os olhos. Os cenários são em 2D isométrico e muito vívidos, com inimigos no mapa e animais se movendo, cores claras e sombras bem definidas, tudo sem que o Switch engasgue em momento algum. Não há nada muito detalhado, mas o que foi colocado no cenário, foi bem feito. Seria o esperado de um jogo portado de celular, mas já vimos vários ports que não podiam dizer o mesmo.

A parte sonora do jogo é maravilhosa também. Além de uma trilha sonora magistral, o jogo é 100% dublado em coreano e japonês, e nos dois idiomas, as vozes são perfeitas para as personagens, e eu me via alternando entre ambas com mais frequência do que o normal. A sonorização ambiente também é muito boa, e os monstros mais relevantes do cenário fazem sons distintos e bem destacados também. Você se sente dentro da floresta, vulcão ou cidade, se fechar os olhos e ouvir.

A ocidentalização do jogo foi bem feita, embora haja alguns erros de digitação e o problema causado no mapa citado acima, que na minha opinião, deve ter sido por terem mantido a ordem alfabética do coreano ou do japonês, em vez de juntar com a do inglês, há alguns textos que ficaram pequenos demais de ler, mas são raros. No geral, dá para ver que houve um carinho e cuidado, especialmente em alguns trocadilhos que foram muito bem adaptados.

Conclusão

Witch Spring 3 Re: Fine – The Story of Eirudy foi uma grata surpresa, que apresenta o universo de Witch Spring para donos de consoles pela primeira vez, e o faz com bastante sucesso. Ao terminar, minha primeira vontade foi jogar de novo, e ver como era o outro caminho. A segunda vontade foi de jogar todos os jogos anteriores, e o próximo, porque o teaser de Witch Spring 4 no final deste jogo torna inevitável você querer saber o destino das deidades/bruxinhas deste mundo.

Análise feita com cópia digital gentilmente cedida pela ININ Games

Witch Spring 3 Re: Fine - The Story of Eirudy
Veredito
Witch Spring 3 Re: Fine - The Story of Eirudy é uma boa surpresa que, embora não apresente nenhum conceito novo em termos de JRPG, faz bem o que se propõe e conta uma história encantadora, que te dará vontade de conhecer o restante da franquia.
Prós
História muito bem contada com múltiplos finais possíveis
Personagens mais profundas do que aparentam
Mecânica de batalha surpreendentemente diversa
Dublagem maravilhosa em dois idiomas
Artes muito bonitas
Contras
Como todo JRPG, há momentos repetitivos de treinamento
Alguns problemas de movimentação e trechos de conversas repetidas não puláveis
8.5
Lindo
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