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Análise – Worms Rumble

Uma tentativa não tão bem sucedida de recriar um clássico

Se existe algo que franquias clássicas têm medo de fazer às vezes é mexer na fórmula que funcionou por tanto tempo. Worms Rumble é uma tentativa da Team17 de sacudir o terrário das minhocas mais loucas do planeta; mas será que funciona?

Sobre Worms Rumble

 

Se você é xóven, deixa a tia cringe contar uma coisa: numa época em que internet era quase impossível de se conseguir, as LAN Houses eram nosso paraíso, depois que as locadoras de games começaram a fechar. E um dos jogos que mais concentravam nossa atenção na segunda metade da década de 90 e começo dos anos 2000, e faziam nossos pais surtarem nos corujões madrugada adentro.

Começando pelo primeiro Worms, em 1995, lá pro Windows 95, mas com certeza, a explosão se deu após Worms Armageddon, lançado em 99. De lá pra cá, mais de 20 jogos, incluindo spinoffs diversos (como pinball e golfe), até a versão mais recente, Worms W.M.D, que saiu em 2016.

Até então, nós tínhamos tido ao menos um jogo de Worms todos os anos desde 2002, e os fãs da franquia esperaram ansiosamente por um novo lançamento, que chegou na forma de Worms Rumble.

História

Worms Rumble não tem história. O jogo é completamente voltado para ser um battle royale online, não tem modo história, não tem missões offline, não tem nada que você pode fazer com ele se não estiver conectada à internet.

O jogo não precisava ter muito, poderia ser como Worms W.M.D, que tinha 35 missões solo para fazer, ou algo assim. O tutorial é a única forma de você treinar sozinha, e não ajuda muito nisso também, já que ele tem apenas figuras de papelão pra você bater e testar as armas.

Gameplay

Aqui foi onde a Team17 correu o maior risco, desviando do padrão clássico de combate estratégico baseado em turnos e, tentando pegar a onda dos battle royales atuais, transformou Worms Rumble em um jogo de ação.

E preciso dizer que, a menos para mim, como fã da franquia, não deu certo. Num primeiro momento, parece ser legal, mas depois de um tempo, fica muito, muito, muito cansativo.

O jogo tem crossplay entre todas as plataformas, então mesmo nas primeiras horas de lançamento, já havia inúmeras pessoas no nível máximo, e, para balancear, o jogo coloca um monte de pessoas de um lado contra poucas de nível alto, o que não adianta muito, já que a experiência conta muito.

Pior que isso, quando o grupo maior consegue, de fato, matar as minhocas inimigas de nível mais alto, é quase impossível encontrá-las de novo pelo mapa, já que todos os mapas foram feitos pensando em 32 minhocas por vez. Mesmo havendo limitação de lugares que você pode ir através do uso de gás venenoso, você ainda se perde demais.

Uma coisa extremamente frustrante é que você pode participar do chat de voz do jogo, mas apenas como ouvinte, e não há nenhuma forma (ao menos, não intuitiva e clara) de se comunicar com as minhocas aliadas. Você ouve minhocas russas, brasileiras, francesas e coreanas falando sobre estratégias e dizendo onde estão, e você não faz ideia do que está acontecendo.

Outra mudança para pior foi o fato de os cenários não se destruírem mais. Antes, destruir parte do mapa era algo estratégico, e conhecer os efeitos de cada arma era fundamental para saber onde se posicionar e como criar coberturas em momentos-chave. Como o jogo é em 2D isométrico, o foco dos desenvolvedores foi em fazer mapas bonitos e cheios de obstáculos, e o que importa aqui agora é conhecer os mapas e os lugares onde se esconder e se esgueirar para ataques-surpresa.

Entenda, isso não é necessariamente ruim: só não é Worms.

No que o jogo lembra bastante os clássicos é no arsenal de armas. É muito legal lançar ovelhas e a famosa Granada Aleluia nas inimigas, mas, de novo, o fato de o jogo ser de ação tira bastante do brilho de cada uma delas, fazendo com que pareçam pouco mais que uma sombra do que realmente eram.

Como fã, foi legal ver muitas armas voltarem depois de anos fora dos jogos, mas elas parecem uma versão bem chinfrim delas.

O jogo tem vários modos disponíveis, desde battle royale em si, até batalha em times, mas eles acabam sendo muito mais do mesmo, e o jogo é repetitivo de um jeito chato: de novo, você muitas vezes vai ser pareada contra alguém muito melhor que você e vai morrer antes de entender o que tem que fazer no mapa.

Talvez se houvesse um sistema melhor de pareamento, o jogo brilharia mais e seria mais divertido, mas ainda assim, optar pela ação em tempo real, em vez dos turnos, foi uma grande bola fora de Worms Rumble.

Parte Técnica

Outro problema de Worms Rumble é o desempenho dele no Nintendo Switch. Não vou mentir, é bem ruim. Há diversos momentos de lag e perda de qualidade, o que, somado ao fato de que o zoom do jogo é bem distante o tempo todo (sem opção de mudar), faz com que seja literalmente impossível de enxergar o que está acontecendo na tela.

É um pouco “menos pior” ao jogar na televisão, há menor queda de framerate e fica mais fácil de enxergar, mas ainda assim, se houver mais de cinco minhocas na tela ao mesmo tempo, ou seja, quase sempre, vai haver engasgo e inimigas aparecendo como borrões.

O jogo não tem opção em português, o que é triste, porque eu guardo para sempre na memória o “O primeiro de muitos.” da versão clássica, mas a parte sonora de Worms Rumble é o ponto alto. Há opções diferentes de narração e vozes para suas minhocas, e as opções de personalização fazem com que sua minhoca tenha um visual bastante distinto (na tela de apresentação e do final, já que, como dito, não dá para perceber isso para valer no jogo.

Conclusão

Worms Rumble não é um jogo de todo ruim; ele só não passa a sensação de um jogo de Worms, e há opções melhores para fãs de Battle Royales de ação em tempo real. Nem o fato de a versão do Switch ter uma skin exclusiva, o que é legal, e ela é bonitinha, faz valer muito, a menos que você jogue primariamente na TV. E se você, como eu, chegou a este jogo buscando recuperar a experiência de jogar Worms, sugiro que invista um pouco mais e compre o jogo anterior, Worms W.M.D, que também está disponível no eShop nacional, ou espere pelo próximo.

Worms Rumble
Veredito
Worms Rumble arrisca ao tentar mudar a fórmula clássica e fracassa no intento. Para piorar, problemas de desempenho dificultam até para fãs do estilo escolhido.
Prós
Variedade de armas permite estilos variados de combate
Sons do jogo são sensacionais, tanto das vozes quanto de ambiente e efeitos
Cenários visualmente bonitos e diversos
Grande variedade de customização
Contras
Ação em tempo real tira toda a essência de Worms
Problemas sérios de desempenho
Impossibilidade de modificar o zoom dificulta enxergar no modo portátil
Ausência do modo história faz com que o jogo não tenha variedade real
Sistema de pareamento completamente torto
5.5
Decepcionante
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