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Zeldaniversário #3: Saga Oracles (Ages & Seasons)

E o terceiro Zeldaniversariante veio em dose dupla.

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Mas como? Eles foram lançados no mesmo dia?

Exatamente!
Ambos os jogos, Oracle of Ages e Oracle of Seasons, foram lançados no mesmo dia, porque eles se complementam.

Ah, tipo Pokémon?

Não, passou longe disso.
Cada um deles é o seu jogo próprio, com seus próprios personagens, cenários, mecânicas e história. Mas eles se interagem, e você precisa terminar um pra ver o final verdadeiro do outro! Formando assim uma bela “duologia”.

A ideia de Pokémon (que, olha só! Também faz aniversário dia 27 de Fevereiro) é você ter uma versão e seu amigo outra para trocar monstrinhos exclusivos de cada versão, aqui a ideia é você ter os dois jogos mesmo, ou então ter um amigo que tenha o outro jogo para que vocês emprestem/troquem.

Há duas formas de conectar os jogos, uma com um password que você consegue ao finalizar um jogo, e a outra literalmente conectando os dois jogos via cabo Game Link.
Eu nunca tive a oportunidade de conectar os jogos com o cabo Game Link, pois eu era o único moleque do meu grupo de amigos que tinha um Game Boy, e mesmo assim, eu só joguei um Linked Game depois de adulto, no 3DS, então não sei dizer qual seria a grande diferença de conectar os dois jogos com o cabo.

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Se não quiser terminar o Ages, aqui está o password para Seasons

Em um Linked Game, você começa com 4 Corações de vida e uma espada (em vez de uma espada, você ganhará um escudo no começo do jogo), além da história continuar de onde o jogo anterior parou.
Você encontra NPCs que não estariam no jogo, e alguns deles te dão um password e pedem pra você passar ele para um personagem da outra versão. Funciona assim:

*Terminei Seasons e estou jogando um Linked Game de Ages.
*Uma senhora no Linked Game de Ages me dá um password e pede para eu falar com um velhinho em Seasons.
*Acho o velhinho em Seasons e passo o password pra ele, que em troca me me dá outro password que posso usar visitando Farore na Maku Tree em Ages e ganhando uma espada nova no processo.

Alguns NPCs viajam de um jogo pra outro e te reconhecem, como o Great Moblin e o Casal Bipin e Blossom, assim como o filho deles, que vai ter crescido com diferentes personalidades de acordo com o que você vai respondendo o casal ao longo do jogo anterior.

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Vasu avaliando um anel

Durante o jogo, você encontra “sementes de anéis” que devem ser analisadas pelo joalheiro Vasu, para que estes se transformem em anéis mágicos que podem mudar o gameplay ou não (alguns são apenas “achievments“), uns te deixam mais forte em troca de menos defesa, outros fazem você poder respirar embaixo d’água, ou te transforma em um monstro, etc. Eles também podem ser passados em um Linked Game, basta pegar o password com a cobra vermelha na joalheria do Vasu em um jogo e falar com a cobra vermelha do Vasu no outro jogo. Há anéis que só podem ser obtidos em um Linked Game também.

Canonicamente, existe uma ordem certa para os jogos?

Não, mas muitos consideram que o Seasons seria o melhor começo, pois ele foi feito primeiro.
E você deve estar se perguntando como o pessoal sabe que ele foi feito primeiro, não está?
Pois bem, esse jogo foi desenvolvido pela extinta equipe Flagship da Capcom, e originalmente seria um remake do primeiro Legend of Zelda, sendo este um tipo de treinamento que o Miyamoto achou para a equipe de novatos aprenderem como se faz um Zelda antes de começar a desenvolver o seu próprio jogo da série.
No fim, após já estarem experientes, eles decidiram que este seria um jogo próprio em vez de um remake, mas Seasons ainda mantém algumas semelhanças com primeiro Zelda, como os velhos que pedem para você pagar pela porta escondida que explodiu (se bem que acho que eles também existem no Ages, mesmo assim, continua sendo algo que já estava pronto em Seasons), o Overworld do jogo tem várias semelhanças com o mapa do Zeldinha, e ele também é um jogo mais focado em ação como os primeiros, deixando os puzzles à rodo para a versão Ages.
Tanto o mangá de Akira Kurosawa quanto Hyrule Historia também consideram Seasons como o primeiro da saga.

A ideia original era fazer uma trilogia de jogos, cada um baseado em um pedaço do Triforce.
Eles se chamariam Mystical Seed of Power/Wisdom/Courage e seriam lançados em datas diferentes, com a versão do “Poder” (Atual Oracle of Seasons) sendo lançada primeiro. Mas como a equipe teve problemas em conectar três jogos (mais precisamente pela versão Courage), eles decidiram cortar o mal pela raiz (o jogo problemático, no caso) e se concentrar em conectar apenas dois jogos.

A versão Courage teria Farore como Oráculo, e também teria “tempo” como tema, mas no caso, seria horas do dia, e você teria que alternar entre manhã, tarde, final da tarde e noite para resolver puzzles. Não encontrei qualquer outra informação sobre esse jogo.
Com seu jogo cortado, Farore apenas virou a Oracle of Secrets, que fica dentro da Maku Tree e te dá itens se você digitar passwords de Linked Games. Pobre Farore…

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Gameplay

O jogo usa a mesma engine do Links Awakening DX e, apesar disso, cada jogo tem sua própria coleção de itens exclusivos.
Cada um dos jogos têm uma essência diferente da série dentro de si. Enquanto Ages é mais focado na resolução de puzzles como nos jogos atuais, o Seasons é mais voltado à ação e combate como os primeiros jogos da série (como já havia citado neste texto).

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Inventário de Ages à esquerda e o de Seasons à direita

Cada jogo tem variações no mapa, como uma versão simplificada do sistema de Light e Dark World presente em A Link to the Past (Mapas semelhantes, mas com algumas diferenças aqui e ali). Ages conta com passado e futuro, enquanto o mapa de Seasons tem quatro estações.
Você pode alternar entre passado e futuro no Oracle of Ages usando a Lira das Eras em certos portais,  mas o mapa de Oracle of Seasons funciona um pouco diferente.
Nele, cada área do jogo está em uma estação, algumas ficam alternando de tempos em tempos, enquanto outras permanecem até você encontrar o Cajado das Estações, mas o poder do cajado só funciona em uma pequena parte do mapa, e você deve subir em troncos de árvores especiais para ativar o efeito.

Seasons ainda conta com um outro mapa, o mundo subterrâneo de Subrosia, que pode ser visitado através de portais e tem sua própria moeda (Rupees não valem nada aqui).

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Mapa de Subrosia

Além disso, por mais que o Link apareça no começo do jogo com a Epona (ou qualquer outro cavalo/égua), ela não é uma montaria no jogo. Mas você pode ter uma entre três montarias, dependendo de qual Strange Flute você encontrar, e cada um deles conta com uma habilidade especial e capacidade de andar por diferentes terrenos.
Um deles é o Dodongo Dimitri que pode subir cachoeiras e atacar com mordidas, engolindo os inimigos.
Outro é o canguru Ricky, que pode escalar paredes, pular buracos, e ataca inimigos desferindo socos.
E o urso voador Moosh, que pode voar por curto período de tempo, mas tem medo de água. Ele ataca voando alto e causando terremotos ao cair em terra.

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Dimitri, Ricky e Moosh

Como dito anteriormente, no jogo você poderá encontrar três Strange Flutes, mas você só pode pegar uma delas, e é ela quem define qual animal será o seu companheiro de viagem durante todo o jogo, que também é levado para o jogo seguinte através do Linked Game.
Os terrenos do mapa mudam de acordo com que animal você tem, para que você não seja impedido de explorar tudo (Exemplo: Uma cachoeira que deveria ser escalada pelo Dimitri vai estar seca e você poderá subir de outra forma caso sua montaria for outra).

História

Esse jogo se passa pouco tempo depois de A Link to The Past e conta com o mesmo Link, mas não é necessário ter jogado o ALTTP para aproveitar o jogo. Ambos começam do mesmo jeito, com Link, que tem a marca do Triforce na mão esquerda, em seu cavalo (Epona? Ele não tinha isso no A Link to the Past!!), e vai até o castelo de Hyrule após ouvir o chamado da Triforce.
Chegando lá, Triforce o manda para um dos reinos vizinhos de Hyrule, Holodrum em Oracle of Season, e Labrynna em Oracle of Ages.
Sem escolhas, Link simplesmente aceita a missão dos triângulos dourados.

Oracle of Seasons:

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Link acorda no meio do mato ao ouvir sons de uma música tocada por uma trupe de viajantes, com a encantadora dançarina Din alegrando a todos. Din convida Link para dançar, mas eles são interrompidos pelo General Onox, que então revela a identidade da dançarina como sendo a Oráculo das Estações, uma linhagem de pessoas capazes de alterar o clima, e invoca um tornado que lança Link para longe.

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Então ele prende a Din em um cristal e enterra o Templo das Estações, fazendo com que o reino de Holodrum entre em desequilíbrio, alterando o clima de forma surreal, arruinando plantações e causando sérios problemas para a população.
Link acorda aos cuidados de Impa, que informa ao rapaz que ele deve encontrar a Árvore Maku, para que esta lhe guie em sua jornada para consertar o clima.

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General Onox

Oracle of Ages:

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Link acorda em uma gruta e lá encontra Impa. Ela estava procurando por uma garota chamada Nayru, cuja voz encantadora era conhecida por todos do reino de Labrynna, principalmente pelos animais. Impa nota que Link está com a marca do Triforce na mão e diz que o caminho está bloqueado por uma rocha que só ele pode remover. Após encontrar Nayru cantando para os animais, o espírito da bruxa maligna Veran sai do corpo de Impa e toma posse do corpo de Nayru, revelando que a jovem cantora é a Óraculo das Eras, uma linhagem de pessoas que podem alterar as eras!
Usando o corpo de Nayru, Veran consegue bagunçar o tempo, transformando crianças em idosos e fazendo outras pessoas desaparecerem ou congelarem no tempo.

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Após recobrar a consciência, Impa avisa que Link precisa encontrar a Árvore Maku para que esta lhe guie em sua jornada para consertar o tempo.
Porém, como Veran alterou o tempo, isso acabou afetando a Árvore Maku, que deixou de existir.

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A bruxa Veran

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Independente de ser um Linked Game ou não, a história de cada jogo é não é alterada, havendo pouquíssimas mudanças, mas acabam sempre tendo algumas revelações interessantes, como a relação entre Cap’n (Personagem de Oracle of Seasons) com a Rainha Ambi (Personagem de Oracle of Ages), além de personagens de um jogo te ajudando em outro. Zelda, a personagem-título da série, só aparece nos Linked Games, por exemplo.

Após derrotar o vilão de um jogo, uma sombra vem recolher uma “chama” deixada pelo vilão, dando gancho pro jogo seguinte. Em um jogo Linkado, essa sombra se revela ser a dupla de bruxas Koume e Kotake, a Twinrova de Ocarina of Time, que recolhem a chama do outro vilão, abrindo caminho para o verdadeiro último chefão, e o verdadeiro final dos jogos, além de mostrar um gancho para a sua continuação cronológica, Link’s Awakening.

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A Saga Oracles foi um grande sucesso, cada um vendendo perto dos 4 milhões de cópias e é uma ótima pedida para quem curte os Zeldas 2Ds e gostaram do Link’s Awakening. É bem interessante ver como os jogos se comunicam, principalmente porque a conexão faz esses dois reinos serem melhores desenvolvidos que boa parte das Hyrules presentes na franquia.

Ótimos jogos, não faz muito tempo que joguei ambos pela Game Boy Player no Game Cube.

Bem que a Nintendo podia refazer estes jogos com gráficos estilo Wind Waker e lançar o  terceiro jogo que seria interconectado aos outros dois.

um dos poucos jogos do GBC que eu ainda consigo jogar, ótimo texto, muito informativo! deu gosto de ler ^^
e bons tempos da capcom que até uma equipe pouco conhecida deles, conseguia fazer um zelda bom.
é bom lembrar que essa equipe ajudou no desenvolvimento de vários jogos, mas acho que esses dois zeldas são os trabalhos mais autorais deles.

relendo essa maravilhosa analise.

Posta todas aqui. São muito boas. Posta a primeira que ela ta faltando.