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O Nintendo Big 3: A estratégia que conquistou os fãs

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Me lembro da E3 2002 como se fosse ontem: A Nintendo lançara o Gamecube a menos de um ano e seus donos já podiam gozar de jogos como Luigi’s Mansion, Pikmin, Rogue Squadron II, Resident Evil, Eternal Darkness, Animal Crossing e, claro, Super Smash Bros. Melee. Mas a empresa japonesa tinha planos bem mais ambiciosos para o futuro próximo. A Nintendo sabia que para concorrer com a Sony e Microsoft ela precisaria de jogos que apresentassem novos mundos e possibilidades inéditas para suas franquias consagradas. Esse normalmente era o papel de Mario, mas dessa vez e não estaria sozinho.

Para entendermos a estratégia conhecida como “Nintendo Big 3″, é preciso primeiro entender a motivação de se comprar um novo console. O grande motivo de se pagar em torno de U$ 300 (ou muitas vezes mais de R$ 2000) em um novo aparelho é para usufruir de novas experiências impossíveis no sistema que você já tem em casa. Muitos irão vender seu console apenas à base de especificações técnicas e frustrar seus consumidores com Giant Enemy Crabs da vida, mas a Nintendo quase sempre busca inovar em seu software caso seu hardware seja apenas uma plataforma mais parruda. É por isso que jogos como Super Mario 64 e F-Zero fizeram as pessoas simplesmente esquecerem seu console anterior, e é por isso também que jogos como New Super Mario Bros. U levantaram dúvidas de se aquele aparelho era apenas um novo acessório para o console que elas já tinham.

Sabendo disso, a Nintendo tinha total noção de que os jogos mais inovadores do GC naquele período eram Luigi’s Mansion e Pikmin. Os demais são clássicos incomparáveis, como Melee e RE, mas ainda são muito enraizados na geração anterior. Não entregavam uma “experiência única” do aparelho, apenas mais conteúdo e visuais melhores. Ela precisava daquele jogo para justificar a compra do novo sistema. Mas na realidade ela não tinha apenas um, mas sim três.

Super Mario Sunshine, Metroid Prime e The Legend of Zelda: Wind Waker foram lançados num intervalo de menos de seis meses. O primeiro colocava Mario num paraíso tropical ao lado de F.L.U.D.D., aparelho que estendia a mobilidade do bigodudo como nunca antes. O segundo reinventou Samus Aran por completo em um ambiente 3D, entregando uma aventura em primeira pessoa que não devia em nada ao legado da série. O terceiro, por fim, trouxe um estilo visual que deu nova vida aos personagens de seu mundo, ao mesmo tempo que descentralizou o mapa e deu uma ambientação totalmente nova à série. Cada um desses jogos é completamente distinto dos anteriores e cada um traz uma porrada de inovação às suas séries e seus gêneros.

A Nintendo viria a repetir esta estratégia entre novembro de 2006 e 2007 com Twilight Princess, Metroid Prime 3 e Super Mario Galaxy. Mas engana-se quem acha que 2002 foi o primeiro ano que isso aconteceu. Para entender a natureza e importância desses jogos, é preciso voltar para 1983, quando a Nintendo lançou o Famicom no Japão. Idealizado como uma plataforma para lançar ports de seus arcades, a Nintendo não sonhou com nada mais que isso. Mas não demorou muito para os seus consumidores se abusarem dos jogos de poucas telas com foco em atingir o maior placar e, notando essa demanda, Shigeru Miyamoto começara a desenvolver dois jogos que seriam o marco de uma nova geração para o aparelho. 

O primeiro deles, planejado como último jogo de cartucho da empresa para o console, teria ação rápida, foco em uma habilidade simples (o pulo) e duração curta. O outro, planejado como primeiro jogo do Disk System, adaptador de disquete para o Famicom, seria o oposto: Uma aventura grande, complexa e onde a busca por segredos e solução de quebra cabeça seria o foco. Eles são, respectivamente, Super Mario Bros., lançado em setembro de 1985, e Hyrule Fantasy: The Legend of Zelda, lançado em fevereiro de 1986.

Mas a Nintendo também estava preparando um terceiro jogo, planejado para sair em agosto de 1986 para o Famicom Disk System, que traria um novo e inédito conceito: Ser uma grande e complexa aventura com foco na busca por power ups e repleta de ação frenética. Projetado por Gunpei Yokoi, a grande sacada do jogo é que grande parte destes power ups não eram obrigatórios e o jogador é incentivado conseguir o máximo possível no menor tempo, conceito que hoje é mais conhecido como speedrunning.

E assim a Nintendo conseguia, com bastante sucesso, renovar as expectativas de seus jogadores. Nós, ocidentais, não tivemos o mesmo impacto porque o NES já foi lançado equiparado com esta segunda geração do Famicom, mas mesmo assim estes três jogos foram primordiais para a estratégia da Nintendo desse lado do mundo.

Pulando para 2017, o Switch já nos trouxe experiências marcantes. Breath of The Wild é o Zelda com o maior número de novidades desde Ocarina of Time e Super Mario Odyssey introduz uma mecânica que impacta todo o fluxo de jogo. Embora a mais nova aventura de Link tenha seu quinhão de ação, é bem evidente que sua natureza mais lenta e metódica contrasta com as sessões de jogo mais rápidas e focadas de Mario. 

Mas ainda nos resta experimentar o que Samus Aran tem a nos oferecer nesta geração. Já anunciado, Metroid Prime 4 é, possivelmente, o jogo mais aguardado do Switch, mesmo sem sequer termos visto uma imagem do título. Nada se sabe sobre a futura aventura da caçadora de recompensas, mas o título do jogo praticamente confirma que a aventura será em primeira pessoa. Será que teremos um foco maior no tiroteio, como em Prime 3, ou na narrativa, como Other M? Ou será que a exploração e atmosfera de Super Metroid e Prime estão direcionando o foco do projeto? A julgar pelos esforços em Zelda e Mario, que buscam bastante inspiração em seus títulos mais antigos, eu tenho uma tendencia a acreditar que esta última possibilidade parece inevitável, mas a Nintendo é bem imprevisível.

Como consumidor dos produtos da empresa a décadas e verdadeiro fã dessas três franquias, não é segredo algum que estou bem contente com a estratégia da Nintendo no Switch. É bom saber que novas franquias, como ARMS e Splatoon, estão se firmando no sistema, mas é ainda melhor de saber que os grandes títulos da empresa estão marcando presença no console da melhor forma possível. Mas a Nintendo ainda tem muitas cartas na manga e eu quero ver o mesmo tratamento sendo aplicado a franquias como Star Fox e F-Zero.

E você, quais outras franquias da Nintendo quer ver no Switch?

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16 Comentários em "O Nintendo Big 3: A estratégia que conquistou os fãs"

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Mr.M
Amiibo

Gostei da matéria! Esse trio garante qualidade a qualquer console Nintendo.

O melhor jogo do Super Nintendo para mim sem dívida alguma é Super Metroid (com Chrono Trigger e a link to the past em seguida). Mas certamente eu não o teria conhecido se ele não tivesse vindo no meu console juntamente com Super Mario World. Falo isso porque a série Metroid apesar de uma das minhas favoritas do mundo dos games nunca foi tão popular em questão de vendas. Chamam de maldição comercial da série, pois o número de vendas não reflete sua extrema qualidade. Consideram ela inclusive como a ovelha negra da tríade por conta disso.

Na geração seguinte, também senti falta de um Metroid mas o Super Mario 64 sendo fenomenal e nos mostrando aquela verdadeira revolução que foi a mudança do 2D para o 3D me fez muito feliz naquele Mágico e inesquecível Natal de 1996. Com a promessa da Nintendo que nos chegava por meio das revistas da época que por mais de dois anos nos faziam sonhar com uma extraordinária transposição do mundo de Hyrule para a ambientacao 3d veio então Zelda 64. Parecia inimaginável acreditar que toda aquela promessa fora cumprida e até mesmo superada.

E novamente em mais uma proximidade de um Natal Maravilhoso em novembro de 1998 (foi a primeira vez que comprei um jogo em lançamento mundial graças a Gradiente). Eu comprei aquela edição da caixa Big da gradiente do Ocarina of Time. Vinha com um guia em português.

Depois eu segui com o irresistível PlayStation 2 que comprei com meu salário dividido em 18x no cheque pela antiga Directshop (lembro do cara trazendo o console naquela maravilhosa caixa azul e levando os cheques pré datados). Comprei por coincidência no mês de lançamento do Metal Gear Solid 2 (Novembro/2001) e pedir para incluir junto no pacote. O assombro daquele game foi tanto que quando mostrei a um amigo ele ficou tão abismado que vendeu o PC dele para comprar um PlayStation 2.

Aí voltando pra Nintendo com o Wii após a soberba da Sony e seu Caríssimo Ps3, pois eu não tinha dois empregos para conseguir um. No Wii conheci jogos desse grupo. O legalzinho mas repetitivo Skyward Sord, Os ultra fantásticos Super Mario Galaxy 1 e 2 e Metroid Other M que trazia aquela cena tão marcante do final do Super Metroid. Puder conhecer por meio de Metroid Prime Trilogy o primeiro que já zerei duas vezes e que tem uma qualidade fantástica. O segundo que estou parado no meio e o terceiro que nunca joguei pois quero terminar o segundo antes.

No Switch, que consegui adquirir no lançamento, junto com a fantástica Special Edition do Zelda foi o game que joguei por 6 meses a fio. Em seguida fiquei jogando por 2 meses o excelente Mario Rabbids até poder pegar o Mario Odyssey tb no lançamento. Joguei cerca de 195 horas do Zelda e 40 horas do Odyssey (meus filhos jogaram mais de 90 horas em outro save dele).

Então agora só falta a chegada desse novo e tão esperado Metroid Prime 4. Eu sei que a Nintendo fará algo maravilhoso. Ela sempre consegue se superar. E eu não tenho pressa alguma. Que venha no tempo certo para atingir o ápice e revolução que foram estes últimos Zelda e Mario.

Felipe Roots
Amiibo

Otima matéria ! Eu gostaria de ver o remaker desse Mario. nunca joguei.

Think
Amiibo

Ótima matéria, Zemahon!
Mario, Zelda e Metroid são as 3 franquias mais importantes não só da Nintendo, mas de toda a industria!
A história de 2002 é fantástica, porém não foi o suficiente para bater de frente com o PS2…
Agora as vezes parece que a Nintendo não tem a real noção do tamanho de Metroid e o quão adorada é essa franquia… São 2 gerações que não viram um Metroid pra chamar de seu (N64 e WiiU), não fizeram uma comemoração de 25 anos como Mario e Zelda receberam, anunciaram MP4 mas não mostram absolutamente nada pra gente… Espero que MP4 seja fantástico e que a franquia receba toda a atenção e exaltação que merece!

Mestre_Construtor
Amiibo

Vendo você descrever o ano de 2002, fica difícil entender pq o GC vendeu tão mal. Vários jogos incríveis lançados. Imagino que Zelda WW não agradou tanto na época por causa dos visuais. E lembro que muita gente não tinha gostado de Sunshine (embora eu tenha adorado).

Pena que não houve metroid pro 64. Não tivemos o trio de ferro naquela geração.

Uma abordagem de metroid que eu gostaria muito de ver algum dia, seria um metroid 3d em terceira pessoa, bem parecido com BotW, em que teria um mundo aberto hostil com vários upgrades e bosses opcionais.

E eu queria muito tbm um novo FZero. Pra mim esse tinha que ser o pilar dos jogos de corrida da Nintendo, pra bater de frente com Forza e Granturismo. Mesmo que sejam jogos com propostas diferentes.

ctemplarios
Amiibo

Battalion Wars e Geist.

diegomirandabt
Amiibo

Fiquei curioso com esse Zelda do GameCube

raffab
Amiibo

Ótimo artigo. So faltou falar da nova experiência visual de Pokémon

cvertigem
Amiibo

https://switch-brasil.com/wp-content/uploads/2018/12/Zelda-Mario-Switch-01.png

Essas duas obras primas foram os primeiros exclusivos que comprei pro meu Switão
Um melhor que o outro (apesar que acho o Zelda ligeiramente superior)

cs
Amiibo

Ótimo Artigo!