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O que está faltando no Switch?

Entrando no seu quarto ano, como a plataforma da Nintendo está se saindo?

O tempo passa sem que nós notemos. Ao menos, para mim, parece que foi ontem que a Nintendo lançou o Switch junto com Breath o the Wild em 2017. Desde então, a companhia japonesa vem se esforçando bastante para preencher o console com uma biblioteca diversa e de altíssima qualidade, buscando representar uma boa quantidade das franquias que compõem seus quase quarenta anos no mercado.

Mas o quão bem sucedida ela vem sendo nesse objetivo? E o que exatamente está faltando na oferta do Switch atualmente? Vamos analisar estes pontos e comparar com os esforços das empresas terceirizadas para tentar responder o quão completa a plataforma se encontra nesse quarto ano de vida.

Seu primeiro aniversário

Durante o primeiro ano do console a Nintendo tomou uma atitude que não tomara desde 2006 ao anunciar que três jogos inéditos de suas franquias mais importantes, Mario, Zelda e Metroid, estavam confirmados para aparecer no console. É, ainda estamos esperando a aventura de Samus, mas ao menos sabemos que a empresa está trabalhando nela, que junta-se à confirmação de Bayonetta 3.

O primeiro ano do sistema também viu a aparição de um Xenoblade e Splatoon inéditos, além do relançamento de Mario Kart 8, uma franquia totalmente nova na forma de ARMS e o crossover entre Mario e Rabbids em Kingdom Battle.

Com dois anos já está falando!

O Switch teria completado seu segundo aniversário sem muito alarde não fosse Super Smash Bros. Ultimate, o maior crossover que o mundo dos jogos já viu. Não é como se o resto do ano tivesse sido desinteressante, mas não houve nada que chegasse perto do nível de importância de Smash.  

Recebemos relançamentos do primeiro e segundo jogos de Bayonetta, além de Donkey Kong Country: Tropical Freeze, e um jogo inédito de Kirby. As festinhas ficaram mais completas com a presença de Mario Party e Mario Tennis. Por fim, ainda esperaríamos um ano para um jogo da série principal de Pokémon, mas a 2018 preencheu um pouco desse vazio com o spin-off Let’s Go, Pikachu/Eevee. Foi também em 2018 que o Labo foi introduzido.

Três anos e já foi à escola

Passado a calma do ano anterior, 2019 foi outro momento de tempestade. E que tempestade! Super Mario Maker 2 e Pokémon Sword/Shield foram sequencias “seguras”, mas muito divertidas e que são bastante jogadas até hoje. Luigi’s Mansion 3 é tudo o que se esperava da série e um pouco mais, assim como Fire Emblem: Three Houses. A Nintendo também nos lembrou que o segmento bidimensional da série Zelda continua relevante com o remake de Link’s Awakening.

Alguns passaram mais despercebidos, como Yoshi’s Crafted World e o relançamento de New Super Mario Bros. U, mas, por outro lado, pequenas surpresas como Ring Fit Adventure roubaram o show. A Nintendo até fez uma parceria inusitada com a Marvel para trazer Ultimate Alliance 3 para exclusividade para o console. O grande destaque, para muitos, ficou para Astral Chain, uma nova franquia de ação cheia de personalidade.

Quarto ano… até agora.

Ainda estamos no começo de 2019 e, sem notícia de um Direct, não sabemos as promessa da Nintendo para esse ano. Isso não quer dizer não tenhamos começado bem: Animal Crossing finalmente deu as caras na plataforma e, dado que não devemos sair de casa no momento, acaba sendo a melhor oportunidade de interagir com os amigos.

Mas o que está faltando?

Não me entenda errado, eu acho que a oferta de títulos da Nintendo vem sendo muito boa, inclusive em 2018, mas ainda há certas omissões que alguns fãs definitivamente não conseguem esquecer. Essas lacunas ficam ainda maiores quando sabemos que a empresa está trabalhando em apenas uma plataforma atualmente, não mais tendo a separação entre times voltados para jogos portáteis e para consoles de mesa.

Primeiramente, não temos um jogo inédito de plataforma 2D do Mario ou Donkey Kong, apenas relançamentos. O mesmo vale para Mario Kart, sendo essa a primeira geração que isso acontece. Embora tenhamos o anuncio de Bayonetta 3 e Metroid Prime 4, isso não muda o fato de que essas duas franquias ainda estão em falta quanto a títulos inéditos na plataforma.

F-Zero e Star Fox compõem o segundo grupo de omissões no Switch. Kid Icarus, que recebeu uma reimaginação incrível no 3DS, também está sumido. A Nintendo também se mantém calada quanto a algum RPG do Mario. A série (Wii) Sports, que apareceu nas duas últimas plataformas da empresa, também não deu as caras aqui. E Pikmin, não esqueçamos de Pikmin!

A Nintendo também tem outras séries menos populares que poderiam receber um novo título em um aparelho tão popular como o Switch. Punch Out!!, Sin & Punishment e a série Wars não dão as caras a um certo tempo. Ela também tem a sua disposição três RPGs interessante em Earthbound, Golden Sun e Pandora’s Tower, mas aparentemente prefere ignora-los. Também parece ignorar a existência de Eternal Darkness, um jogo tão cheio de personalidade que nunca recebeu uma sequencia. Warioware também está em falta. Além disso, alguém mais se lembra de Wave Race, 1080º e Chibi Robo?

E os demais?

É amigos, aqui a situação é um pouco diferente. A começar que boa parte dos jogos multiplataforma recentes que o console recebeu vieram em versões tardias, como foi com Wolfenstein 2, Dragon Quest XI e será com Doom Eternal e The Outer Worlds. Além disso, certas franquias estão bastante defasadas no console, seja devido a versões aquém do desejado, como FIFA, ou jogos muito antigos, como a série Street Fighter e Resident Evil. Esta última, inclusive, está recebendo dois jogos desde que o Switch foi lançado e que foram totalmente ignorados na plataforma.

Se observarmos por gêneros, percebemos que alguns estão muito mal representados no console. O único jogo de esporte que consigo lembrar que está bem atualizado em relação ao resto do mercado é NBA 2K. Falta um FIFA completo e falta outros esportes específicos, como futebol americano. Pegando esse gancho, também sinto falta de simuladores de corrida mais encorpados, assim como sinto falta de um FPS que não seja totalmente online, com uma campanha interessante. Onde está Call of Duty e Battlefield? Ainda são série bastante populares que não estão presentes no Switch. Onde estão os jogos de luta 3D? Soul Calibur, Tekken e Dead or Alive já apareceram em plataformas da Nintendo antes, mas nenhum sinal deles no Switch. 

Se tomarmos apenas o ano passado como exemplo, diversos multiplataformas populares, que espera-se encontrar em qualquer console, não deram as caras na plataforma da Nintendo. Já mencionei Resident Evil 2, mas a Capcom também não trouxe Devil May Cry V. Nada de Kingdom Hearts III, Jedi: Fallen Order ou Borderlands 3. Eu acredito que a plataforma ja está bem madura para ser considerada algo viável para esses títulos, além de estar no mercado a tempo suficiente de incluí-la no desenvolvimento dos mesmos. Nem sequer ports tardios de jogos de 2018, como Assassin’s Creed Odyssey, Far Cry 5 e Shadow of the Tomb Raider recebemos.

Sim, há diversos jogos third-party de qualidade no Switch, não os estou ignorando. Mas se outras plataformas não se contentam apenas com eles, porque o Switch deveria? Eu, particularmente, acho extremamente útil as capacidades portáteis do console, especialmente nesse momento de quarentena com a família no interior do estado, mas a oferta das terceirizadas é um pouco… fraca. Eu gostaria muito de ter a segurança que o novo jogo de minhas séries favoritas, como Resident Evil e Devil May Cry, vão estar disponíveis na minha plataforma favorita, e não títulos de 15 anos atrás.

Além dos jogos

Vale lembrar, também, que o Switch ainda precisa evoluir em certos atributos. São melhorias que, a essa altura da vida do console, eu imaginava que já teríamos algum trabalho sendo feito.

Ainda não há chat por voz integrado no sistema ou conquistas integradas ao nosso perfil, precisamos compartilhar Friend Codes para adicionar alguém que não temos em redes sociais, a eShop ainda é bastante desorganizada e o mesmo pode ser falado sobre o gerenciamento de software do sistema em si.

Os jogos somente agora começaram a adotar cartões de 32GB e ainda são somente três títulos, pelo que eu lembre. Quando vou poder usar meus fones Bluetooth de forma nativa? Quando o problema de drifting dos Joy-Con será sanado de vez? Eu gostaria muito de formas mais eficientes de organizar minhas capturas de tela. Também gostaria de transferir jogos para um HD externo e, assim, não precisar deletar e  baixar toda vez que algo não couber no cartão microSD.

Enfim, as vezes imagino que a Nintendo está dormindo no ponto. Algumas dessas funções já estão disponíveis na concorrência desde 2001. Eu acho isso um descaso com a base de usuários.

Ja é rapazinho, mas…

Infelizmente, ainda não consigo olhar o Switch como minha única plataforma de jogos. Porém, a oferta de títulos exclusivos da Nintendo é tão boa que o espaço que tenho para jogos de outras editoras acaba sendo preenchido pelos poucos que o aparelho recebe. Porém, vez ou outra ainda preciso ligar meu PS4, como este ano provavelmente o farei para jogar Resident Evil 3 e o remake da primeira cidade de Final Fantasy VII.

E para você, querido leitor, o que está faltando no Switch?

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