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Seis anos sem Satoru Iwata

A notícia que nenhum nintendista queria receber

Um dos maiores nomes da história dos videogames nos deixava há exatos seis anos. Satoru Iwata, ex-presidente da Nintendo, faleceu em 2015 aos 55 anos em decorrência de um câncer, mas até hoje é lembrado como um dos mais importantes diretores que já passaram pela Big N.

Iwata começou sua história na HAL Laboratory, onde se dedicou por 20 anos em franquias importantes como Super Smash Bros., Kirby e Mother, assumindo a presidência da desenvolvedora em 1993. Em 2000, foi nomeado diretor na Nintendo, e, com a aposentadoria de Hiroshi Yamauchi, chegou ao posto mais alto da empresa em 2002, onde ficou até seu falecimento.

Sua proatividade e liderança natas impressionou a todos que tiveram oportunidade de trabalhar com Iwata – isso apenas era possível, como ele mesmo dizia, por ser mais que um profissional da área, ser também um jogador. Seu antecessor na presidência da Big N, Yamauchi, foi quem insistiu em seu nome para a presidência da HAL, além de ser também uma referência para Masahiro Sakurai, com quem trabalhou em Super Smash Bros. Melee (GameCube). Sakurai, o grande nome da franquia, o descrevia como equilibrado e trabalhador. Sucessos como Pokémon Gold & Silver (Game Boy Color) e Pokémon Stadium (Nintendo 64) também tiveram o toque mágico do desenvolvedor, sendo uma peça importante para a base da franquia. Iwata nunca foi o padrão esperado de um presidente – colocar a mão na massa era fundamental.

Mais que um grande profissional, Iwata foi o líder mais carismático que a Nintendo teve sorte de ter. Com sua naturalidade em vídeos e em palcos como da E3, os anúncios vindos do presidente eram os mais esperados nos eventos onde marcava presença. Iwata nos Directs era conhecido por mergulhar de cabeça no show. Quantos memes não vimos com o presidente segurando bananas ou quem não se lembra do incrível anúncio dos Mii Characters e amiibo em Super Smash Bros. for Wii U & 3DS ao lado de Reggie Fils-Aimé na E3 2014?

Iwata nunca foi conhecido por trabalhar em sua zona de conforto – assumiu a empresa durante a crise do GameCube, que não ia bem nas vendas, então era necessário fazer algo diferente. Em seu legado, deixou dois sucessos estrondosos de vendas, o Nintendo DS e o Nintendo Wii, ambos figurando entre as maiores vendas de consoles da história.

As inovações do Wii Remote (em detrimento de avanços gráficos) e a imensa variedade de títulos nos dois consoles trouxeram novos parâmetros para a empresa e indústria como um todo. Outro objetivo ousado para o NDS era mostrar que jogos não eram apenas para meninos, incluindo em seu público mulheres, adultos e idosos. Iwata, de fato, não queria mais do mesmo para a empresa que cuidava com tanto afinco.

Como nem tudo neste mercado são flores, o sucesso do 3DS e o Wii U foi inversamente proporcional ao de seus antecessores. O ano de 2011 não foi fácil para o Japão, com desastres naturais e problemas econômicos, que obviamente afetaram também a indústria nintendista. O presidente, tentando garantir que as contas fechassem, decidiu cortar o preço do 3DS e também seu próprio salário, mas isso sozinho não ajudou no próximo desafio que vinha pela frente. O Wii U, sucessor do Wii, não emplacou no mercado apesar da novidade que trazia em seus controles (o gamepad), não teve tantos títulos expressivos quanto poderia e foram três terríveis anos para a empresa.

O que o presidente de uma das maiores empresas do mundo deveria fazer em uma situação como esta? Iwata decidiu dar a cara. Se desculpou pela ausência de jogos, pelos poucos lançamentos em HD e assumiu todos os erros da empresa com o Wii U. Mais ainda: assumiu o desafio de não deixar a empresa ir ladeira abaixo de vez. E conseguiu. O Wii U não foi nem de perto o que foi o Wii – inclusive, foi o segundo pior console na história da empresa, perdendo apenas para o Virtual Boy – mas segurou as pontas por tempo suficiente.

Naturalmente, Iwata participou do desenvolvimento do Nintendo Switch, o primeiro console híbrido da empresa, de fato uma inovação imensa depois do pouco prático Wii U, mas infelizmente não chegou a ver o sucesso do projeto. Em 2014, teve o diagnóstico de um câncer no ducto biliar, passando por uma cirurgia que o ausentou da E3 2014. Reapareceu um tempo depois em um Nintendo Direct, e, mesmo abatido, deu esperanças de bons resultados de seu tratamento para os fãs. Na E3 2015, não marcou presença novamente, mas seguiu forte em seus compromissos enquanto presidente até seu falecimento poucas semanas depois, em 11 de julho de 2015.

Para os fãs de seus inúmeros trabalhos, sua morte inesperada chocou e assustou. Foi surreal para nós, que crescemos vendo seu nome nos créditos de tantos jogos como Super Smash Bros., Super Mario, Pokémon, Kirby, The Legend of Zelda, Splatoon, Metroid e Animal Crossing, receber tamanha bomba em forma de notícia. Sinto muito, mestre, mas até hoje nós não conseguimos entender.

“No meu cartão de visita, eu sou presidente corporativo. Na minha mente, eu sou um desenvolvedor de jogos. Mas, em meu coração, eu sou um jogador.”

Satoru Iwata (1959-2015)

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