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Videogames são muito mais do que imaginamos

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AVISO: Este é um texto pessoal, e visto alguns artigos mais antigos, sei que não são todos que gostam desse tipo de texto no site, por isso o aviso.

Nos últimos anos, venho tendo alguns problemas e que todas as vezes quem me salvou foi um videogame, por mais que alguns digam que é apenas um jogo ou até mesmo que seja uma má influência, sou prova viva de que videogames ajudam as pessoas a superar desafios que deixam qualquer um desanimado com a vida. Tive uma infância boa com um final ruim e uma adolescência completamente ruim, um desastre total. São vários fatores, a perda de um ente querido, que no caso era minha mãe e eu tinha apenas 11 anos até quando eu era muito acima do peso e todas as vezes, foi através de algum jogo que consegui superar adversidades, pelo menos a maioria delas.

Um exemplo foi em 2012, início do Ensino Médio, eu estava gordinho e como sempre morria de vergonha disso, principalmente porque meninas não gostavam e eu já estava com 15 anos sem ter beijado ninguém. Foi então que decidi que perderia aquele peso e eu consegui. Perdi 20 kilos ao longo de quase quatro meses e durante esse processo eu virava as noites jogando The Legend of Zelda: Twilight Princess e como estudava no período da noite, podia dormir até mais tarde no outro dia. Twilight Princess para mim foi o Zelda mais marcante, pela época em que joguei ele e como a cada quest que eu passava no jogo me dava forças pra conseguir meu objetivo na vida real. Ele também trouxe uma versão da música “Serenade of Water” que no game é chamada de “Queen Rutela’s theme” e que é de longe minha música favorita, não só na série, como na vida. Nessa época meu número de amigos é igual ao de hoje (não mudou muita coisa), e esse número é Zero (não aquele do Mega Man) e pode parecer uma tremenda bobagem, eu não via Twilight Princess como apenas um jogo, eu via como minha verdadeira escola.

(Guilherme Bocci – 11 anos/22 anos e sim, é a mesma camiseta)

Apesar da vida não ser nem de perto como eu gostaria, sempre consegui ir levando e com muito esforço consegui me formar em Técnico em Mecânica no SENAI sem pagar um centavo através do Pronatec. E apenas alguns dias depois de formado, eu já tinha conseguido um emprego e eu achava que as coisas iam melhorar ali, afinal que pensamento eu poderia ter no Natal?

Então 2016 começou e no trabalho eu tinha alguns sentimentos mesclados, eu gostava do que fazia, mas eu era o mais novo da empresa e ainda era quieto até demais, prato cheio para quase todas as pessoas te zuarem até quando você não faz nada e quando tinha o descuido de fazer algo errado, a zueira triplicava. Ainda em 2016, eu sai com uma garota por alguns poucos meses, mas era tempo suficiente para eu gostar mesmo dela. E apesar de não estarmos namorando oficialmente, eu considerava que eu só saía com ela e vice-versa. Até um certo dia em que íamos sair e ela desistiu, então meu irmão me chamou para ver o teatro que ele ia apresentar (ele ia fazer a parte musical com o violão) e eu fui. Quando começa o teatro, bati o olho numa garota de cabelo ruivo e para minha “sorte” era ela. Apenas 5 minutos depois de vê-la, a vi beijando outro cara e sinceramente, eu quase entrei em depressão ali. A minha vida já era difícil e ainda tinha que acontecer uma coisa dessa? Isso foi na mesma época que eu comprei The Legend of Zelda: Skyward Sword. E assim como alguns anos antes, lá estava eu mais uma vez sendo salvo por um jogo e da mesma série (e esse é um dos motivos de ser minha série favorita).

The Legend of Zelda: Skyward Sword tem como um dos pontos principais mostrar a origem de Hyrule e principalmente a origem da espada que faz aparição na grande maioria dos jogos da série, a Master Sword. E aquela trilha sonora fantástica de cada mundo que ia passando, o fato de pela primeira vez ouvir Zelda cantando e com um visual muito parecido com a da deusa Hylia (que faz aparição nos mangas do mesmo jogo) e mesmo se eu já não soubesse a linha do tempo oficial da série que para alguns é uma grande besteira e eu até entendo isso, para mim seria nítido que aquela era primeira reencarnação de Hylia como Zelda. A história usa muitas coisas clichês e eu não acho ruim, porque mais uma vez eu conseguia tirar ensinamentos de um jogo para a vida real.

Então havíamos chegado em 2017, e eu havia prometido que seria diferente e até por isso foi um ano em que joguei tão pouco que chego a me arrepender. Havia chegado um novo Zelda, um tempo depois um novo Mario e eu não tinha um Switch e nem dinheiro para comprar. Ao mesmo tempo, estava desesperado por outro emprego e eu consegui. A empresa era a Thyssenkrupp, empresa multi nacional, que na teoria tinha um ótimo plano de carreira e que tinha um projeto de crescimento da própria empresa. Trabalhar lá foi uma ótima experiência, mas o horário atrapalhava e muito as condições para estudo, já que eu tinha horário fixo das 14:30 às 00:00. Depois de algum tempo, eu e mais alguns funcionários percebemos que o plano de carreira era uma mentira e havia uma certa diferença de tratamento que incomodava, apesar de um clima de trabalho melhor.

No final de 2017, eu comprei um Switch e lembro muito bem do dia em que ele chegou. Foi numa sexta feira e eu virei a noite jogando The Legend of Zelda: Breath of the Wild e apesar de ser um game monstruoso, não foi nem de perto tão marcante pra mim quanto Ocarina of Time, Majora’s Mask ou Twilight Princess. Acho que a melhor justificativa para isso foi que joguei numa época que estava correndo tudo muito bem, sem maiores problemas.

2018 foi um ano incrível, arranjei uma namorada que era ainda mais incrível, tinha os videogames que queria, pude jogar grandes games como God Of War, Donkey Kong: Tropical Freeze e Shovel Knight: Spector of Torment. Cheguei a comprar um carro e apesar de ainda não conseguir entrar em um curso que queria, eu estava muito feliz. Fiz e vivi coisas incríveis ao longo do ano e pela primeira vez, eu pensava numa vida a longo prazo ao lado da minha namorada. Só que em Setembro, a antiga empresa que eu trabalhava, a Poçostec me chamou para voltar, e era atrativo para mim principalmente por finalmente voltar a trabalhar em horário administrativo e por outro lado eu teria que aprender de vez a conviver com a zueira que eu simplesmente odiava e eu acabei aceitando voltar para lá, principalmente porque eu queria mesmo voltar a estudar. Porém, agora que já não sou mais o mais novo, o clima melhorou muito para mim e anda sendo muito agradável trabalhar lá agora.

Em dezembro, as coisas voltaram a dar errado e a minha namorada pediu um tempo de 7 meses (soa mais ridículo quando eu falo em voz alta). A desculpa era que ela não conseguia se focar na faculdade por minha causa e que não dar atenção para mim e para a faculdade incomodava muito. O pior de tudo eram esses tipos de desculpas que deixam claro que não há motivos e que ela só não queria mais, na verdade ela poderia ter dito simplesmente que não queria mais, seria menos doloroso, certo?

Apenas alguns dias depois, Super Smash Bros Ultimate foi lançado e mesmo sem um centavo no bolso, eu comprei parcelado em 500 vezes e eu devorei o jogo, na verdade foi o que salvou uma parte do fim do ano. Um natal que não parecia natal, uma família desunida e um ano novo horroroso salvos por um game de luta que envolve quase todas minhas franquias favoritas. Por isso, gostaria de agradecer não só a Nintendo, como todas s produtoras de consoles e games, porque cada jogo que joguei sempre me ajudou de alguma forma, principalmente quando as coisas dão errado e você consegue tirar sentimentos incríveis de um jogo que te ajudam na vida real.

Cada vez mais tenho certeza que jogar videogame é muito mais do que imaginamos, eles mudam a forma que pensamos, nos marcam em períodos difíceis e nos dão forças para continuarmos vivendo nossas vidas. E se não foi dessa vez que aquele seu plano deu certo, aperta Start e dá um Continue que uma hora você consegue. Comigo, Zelda sempre foi uma série mais marcante do que outras, por isso só cito ela praticamente, o que pode mudar de pessoa para pessoa.

E o maior ensinamento que tirei dentre todos os jogos carrega o seguinte texto:

“O tempo passa, as pessoas mudam … Como o fluxo de um rio, nunca termina … Uma mente infantil se tornará uma nobre ambição … O amor jovem se tornará uma profunda afeição… A superfície da água clara reflete o crescimento … Agora ouça a Serenata da Água para refletir sobre você mesmo”

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Amiibo
Think

Bocci, ja q vc compartilhou sua história, to passando pra dizer q quem esta precisando visitar um lugar seguro hj sou eu! A vida ta uma loucura esses ultimos dias!

denis_timao
Amiibo

Ótima história cara, eu também tenho uma mais ou menos por aí, em 2011 eu estava bem desanimado com a vida também, fui salvo graças a série Final Fantasy que ironicamente já foi a que eu mais odiava, mas não foi só o game, foi uma série de fatores que me ajudaram a melhorar a qualidade de vida como amigos e novos hobbies principalmente. No mais concordo, um gamer de verdade sabe que jogar video game é mais que só um passa tempo qualquer hahaha

Think
Amiibo
Think

Bocci, sem dúvida os games nos ajudam em diversos fatores e muitas das minhas lembranças felizes da minha infancia envolvem direta ou indiretamente os games, seja reuniões com amigos pra jogar algum game, eu e meu irmão jogando coop (algo q sempre ajudou muito a estreitar minha amizade com ele) ou então uma jornada solitária em tempos dificeis, assim como vc!
Agora apesar deles serem um lugar seguro que vale muito a pena ser visitado em momentos dificeis, muitas vezes temos que enfrentar a realidade para sermos de fato felizes. A sua história de superação mostra que vc não venceu só nos games, mas que conseguiu superar dificuldades fora deles tbm, como sua perda de peso, conseguir seu emprego e etc. Lembre-se disso!
Então o que desejo pra vc é que continue assim, lutando dentro e fora dos games. As batalhas reais não irão deixar de existir e algumas feridas não se curam com o tempo. Então prossiga vendo oq pode ser mudado e melhorado e vencendo como um herói!
E outra coisa que os games nos proporciona são comunidades como a nossa, com pessoas q se identificam conosco e acabam se tornando amigos. Por isso conte com a gente (ou comigo pelo menos) no que precisar.

denis_timao
Amiibo

Boa Think.

kchan
Amiibo
kchan

Cara como eu entendo esse sentimento, os livros e os jogos já me salvaram de muitas fases ruins na vida. Eu acho que sempre tive depressão desde que me entendo por gente e sempre foi difícil lidar com os grandes problemas da vida, mas os livros e jogos sempre estavam lá para me fazer esquecer temporiamente, porque uma coisa que aprendi nessa vida é que muitas vezes aquele problema enorme e difícil de resolver só precisa de um tempo para ser tornar mais fácil de ser resolvido, e muitas vezes consegui esse tempo jogando ou lendo. Como uma pessoa que tem depressão hoje eu sei que muitas vezes vou pensar que as coisas não tem solução, mas aprendi como as coisas podem mudar de um dia para o outro, e a solução aparece. Quando tive meus filhos, uma gravidez não foi planejada e fiquei muito mal, eu não tinha emprego, me achava uma péssima mãe(não que eu fosse mas na época eu via as coisas assim) tinha dias que eu nem queria levantar da cama, um jogo que me marcou muito nessa época foi o Animal Crossing do nintendo DS, ele me fazia acordar com vontade de jogar e nisso eu ia levando essa fase ruim, e quando percebi estava tudo melhorando, meus filhos estavam super saudáveis, e o lado financeiro foi se resolvendo, por isso tenho uma consideração enorme pela nintendo e Animal Crossing virou minha franquia favorita, joguei todos. Estou passando por mais uma dessas fases, está bem difícil ter tempo para jogar, mas lendo todo seu relato, fiquei pensando no novo Animal crossing que irá sair para o Switch, nem tenho Switch e já tinha desistido de ter por causa da falta de tempo mas acho que talvez seja uma boa ideia tentar. Obrigada pela sua coragem em compartilhar sua história, eu pensava ser bem anormal por ser assim mas com seu relato me lembrei de vários amigos e conhecidos que também passaram ou passam por isso, jogos são incríveis mesmo! São muito mais que só um passatempo com certeza! E desejo que tudo melhore na sua vida! E lembre-se coisas ruins também passam, e muitas vezes a gente perde algo para depois conseguir algo muito melhor!

Robercletzon
Amiibo
Robercletzon

Interessante mano. Mas procure resolver algum dos seus problemas no lugar de fugir sempre pros games. Use eles como hobby e nao como vicio.
Por exemplo vc nao tem amigos. Pq nao faz alguns. Sua familia nao é unida pq nao tenta conversar mais com eles e ajudalos? Sair com eles pro cinema ou prum parque? Frequentar ambientes com mais pessoas como igrejas ou parques para praticar esportes e fazer amigos.

Abracos.

Eu posso ser amigo seu se quiser add no zap
11 984428857

Pelo jeito vc tem um problema de aceitacao. De nao falar o que pensa pras pessoas com medo de ferir elas ou ficar com receio do que elas vao achar de vc. Tente ser mais expontaneo e vc vai se soltar mais. Fazer alguma piadainha se zoando coisa simples.

denis_timao
Amiibo

Concordo com tudo que disse cara.

Vavá
Amiibo
Vavá

Acho que a grande maioria de jogadores concordará com você, nós aprendemos a ver nos games uma “companhia”.
Eu mesmo tive experiência assim, fui usuário de dorgas, e o vigeogame ajudou a me libertar do vício, na época jogava Ninja Gaiden no Xbox, e passava noites e noites jogando, ao invés de sair e usar dorgas, e graças a Deus hoje estou liberto das dorgas, casado, com uma vida muita ativa, mas ainda arranjo um tempinho pra explorar o Zelda do Switch.
Porém assim como sei que os jogos são legais, e são um hobby que me fez e ainda faz muito bem, sei reconhecer a importância dos relacionamentos interepessoais e busco um ponto de equilíbrio entre o tempo gasto jogando, com mina família e com os amigos.
Um abraço pra vc é obrigado por gastar seu tempo compartilhando sua história de superação com a gente!