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O Wii U realmente não deu certo?

Traçar uma análise geral do Wii U nesse momento parece muito fácil e cômodo. Com a chegada do Switch, os erros e acertos da Nintendo em relação ao console passado se tornaram mais visíveis, tendo em vista que muitos conceituam o Switch como “o Wii U que deu certo”.

De certa forma, é mais ou menos isso mesmo. Este breve texto mostrará que o Wii U é um console fenomenal. Por mais que as vendas jamais representem isso, várias evidências expõem que ele trouxe muita coisa positiva para o mundo dos games, servindo de base para muita coisa que chegou posteriormente para o Switch.

PARTINDO DO INÍCIO…

Reggie Fils-Aimé durante apresentação do Wii U na E3 2011

Para começar, vamos voltar até a E3 2011. O evento marcou o anúncio do Wii U, aquele que seria o console responsável por “revolucionar a forma de jogar videogame”.

Infelizmente, a divulgação do Wii U não foi das melhores. Várias pessoas ficaram sem entender se o Gamepad, tantas vezes exibido no telão do evento, tratava-se de parte de um novo console ou apenas um dispositivo complementar do Wii.

Ainda assim, após a chegada às lojas, o Wii U registrou bons números em relação as vendas, durante as primeiras semanas pós-lançamento. Com o tempo, as vendas foram diminuindo, até chegarem a patamares baixíssimos.

A Nintendo, durante as suas apresentações sobre o console, tentou vendê-lo como algo muito maior do que um simples aparelho de videogame. Se pensarmos em todas as funções presentes no console, podemos concluir que ela estava certa.

O Wii U trazia sistemas de controles de tv, com acesso a canais e conteúdos esportivos, interações através de transmissões em áudio e vídeo, aplicativos, e muito mais. Era muito mais do que qualquer outro console já havia oferecido.

Analisando todos esses pontos, podemos ver que o console tinha muito para mostrar. O Switch é uma prova disso. Várias características presentes no Wii U foram aperfeiçoadas com a chegada do primeiro console híbrido da Nintendo. Vamos conferir várias delas a partir de agora.

Wii U: novidades e influência para o Switch

No Wii U, ganhamos o primeiro controle em formato de tablet na história dos videogames. Ele tinha seus pontos positivos (os quais destacaremos logo a seguir), mas também possuía restrições por conta da sua tecnologia.

A limitação em relação a distância entre o console e a TV é uma das mais destacáveis. Já no Switch, mudanças possibilitaram total independência da segunda tela, trazendo o real conceito de console híbrido.

Além disso, não podemos esquecer dos inúmeros títulos originais de Wii U lançados posteriormente para o Switch. Sim! Vários títulos que nasceram ou foram produzidos no Wii U ganharam espaço no Switch, seja em forma de ports ou games lançados em versões aprimoradas.

Nota-se, então, que o Wii U tinha, sim, pontos marcantes. Para a sua época, ele, de fato, foi revolucionário. Mais do que os acertos durante a sua produção, as falhas que foram notadas após o seu lançamento serviram de exemplo para evitar que erros não se repetissem no Switch.

Jogos e ports

Como citado ainda pouco, o Wii U trouxe vários jogos na sua biblioteca, a qual, apesar de modesta em relação a quantidade de lançamentos, possuía altíssima qualidade.

Não faltam exemplos. Podemos começar com aquele que foi considerado o “jogo do ano de 2017”: The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Desenvolvido originalmente para Wii U, o jogo serviu para mostrar toda a capacidade do console, deixando claro que ele era capaz de muito mais do que aparentava.

Ainda podemos citar Mario Kart 8 Deluxe, uma versão aperfeiçoada do título lançado originalmente para Wii U. Também temos Splatoon, uma das séries de maior sucesso da Nintendo, responsável por milhões em vendas, o qual recebeu uma segunda edição no Switch, mas ganhou repercussão inicialmente no Wii U.

Além disso, vários ports de ótimos jogos estão sendo realizados desde o lançamento do Switch, trazendo títulos como Captain Toad, Donkey Kong Tropical Freeze e Bayonetta – este último, inclusive, ganhará uma terceira edição exclusiva para o console. Outros, provavelmente, devem pintar em breve, como Super Mario 3D World, Pikmin e Super Mario Maker.

Essa é uma pequena amostra que jogos de qualidade é algo que nunca faltou para o Wii U. O console, até o momento, é responsável, ainda que indiretamente, por uma boa parte dos títulos produzidos pela Nintendo para o Switch.

Nem tudo são flores

Apesar de eu, particularmente, considerar o console como um produto sensacional, é lógico que ele possuía suas falhas envolvendo o hardware ou assuntos relacionados à marca Nintendo e seu produto. Entre elas, podemos citar:

  1. Controle que não era vendido separadamente no mercado
    O projeto em si era inovador e audacioso, mas este é um ponto que eu nunca entendi. O Wii U é o único console lançado até hoje, o qual não possuía peça de reposição no caso de você danificar o seu controle principal (gamepad). Precisar comprar um novo console, por conta de um problema com o seu gamepad não soa como uma boa ideia.
  2. Gamepad que não desliga
    Ainda envolvendo o gamepad, um outro ponto é a impossibilidade de desligar a tela do controle sempre que conveniente para o jogador. Isso porque, em alguns jogos, a tela do gamepad exibe exatamente aquilo que é mostrado na tv, consumindo bateria sem necessidade.
  3. Sem apoio de third-parties
    A falta de apoio das third-parties pesou muito na vida do Wii U. Apesar do anúncio inicial de vários jogos, ao longo dos meses que se seguiram, a ausência das produtoras foi sentida, principalmente, no período que o console ficou sem receber grandes lançamentos.
  4. E o preço?
    Para completar, o preço do Wii U não era o mais convidativo entre os consoles existentes. A edição Basic foi anunciada no valor de US$ 299,99, mas contava com apenas 8GB de memória interna e não incluía nenhum jogo. Já a versão Deluxe, que chegou com 32GB de espaço disponível e uma cópia do título Nintendo Land, foi exibida no preço de US$ 349,99.

O Wii U chegou na hora certa?

Do meu ponto de vista, o Wii U veio no momento certo e no momento errado, ao mesmo tempo.

Chegou na hora certa, porque…

… toda sua mecânica serviu de base para o Switch, sendo aperfeiçoada e transformando o novo console em um sucesso de vendas.

Além disso, inovou, de fato, em relação aos seus concorrentes e trouxe o primeiro controle tablet da história, possibilitando uma nova experiência na maneira de jogar ao unir as funções do gamepad com o jogo correndo na tela da TV.

ZombiU, por exemplo, um dos títulos anunciados para o console no ano de 2012, fez ótimo uso do gamepad, transformando-o em um menu de acesso rápido, com disposição de itens, mapas e configurações. Outro exemplo marcante é Super Mario Maker, o qual possui sua mecânica totalmente ligada à tecnologia disposta no gamepad.

Em compensação, como ponto negativo…

… foi lançado em uma época em que os seus principais concorrentes dominavam o mercado e possuíam configurações superiores de hardware e capacidade de armazenamento, sem contar o apoio massivo de third-parties que o console da Nintendo não possuía.

Como exemplo, podemos citar o ocorrido durante a E3 2011. Durante o evento, vários jogos foram apresentados para o console, como Batman Arkham City, Darksiders II e Assassin’s Creed. Porém, com o passar dos anos, a Nintendo viu novos anúncios de produtoras third-party cessarem, deixando o console sem grandes lançamentos por longos períodos.

Abaixo, você relembra o anúncio dos jogos confirmados para o Wii U durante os anos 2011/2012:

Wii U, obrigado!

O Wii U tinha tudo para dar errado. Mas não devemos pensar dessa forma. É claro que se você olhar apenas para números, provavelmente, vai discordar de tal afirmação. Porém, se a análise for feita de forma mais ampla, o legado deixado é muito maior.

Sem ele, o Switch, provavelmente, não estaria batendo todos os recordes. Não podemos descartar toda a influência que o Wii U impôs sobre o Switch, envolvendo o seu controle tablet, incluindo a função touchscreen; o sistema híbrido do console, já presente, em parte, no Wii U; e os inúmeros ports realizados até agora.

Termino deixando um questionamento: se o Switch tivesse sido lançado no lugar do Wii U, lá em 2011, tendo como antecessor o Wii, sem nenhuma experiência em relação ao mecanismo de console híbrido, e sem os jogos disponibilizados para Wii U, será que ele alcançaria todo esse sucesso?

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